Vinny Dunga: ‘Dedévaneio’

As cifras astronômicas cogitadas na especulação envolvendo o zagueiro Dedé, do Cruzeiro, passaram de qualquer limite aceitável. Esse me parece ser o cartão de visitas da ingerência, e da imprudência.

Todo o trabalho de seis anos de reconstrução pode, realmente, estar em risco. Não é que nem no seu PlayStation, que você compra quem quiser e, se der problema, você reseta. É de suma importância que qualquer alto investimento traga retorno, justamente para no futuro fazermos outros altos investimentos.

Estamos falando de um zagueiro no alto de seus 30 anos de idade, e com um vasto histórico de lesões. Dedé seria, sim, um bom reforço para o Flamengo em 2019, mas acenar com (pelo menos) 40 milhões de reais (incluindo a anistia da dívida do Mancuello), é a personificação da gestão temerária.

Tem muito pouco tempo que Dedé voltou a jogar em seu melhor nível. Nível esse que, sem duvidas, fica acima do padrão do futebol brasileiro. Porém, se não tem uma negociação viável para o Flamengo, não existem motivos para forçar a barra e dar um cheque em branco pelo zagueiro.

Acabamos de fazer a melhor campanha do Flamengo na história dos pontos corridos do Campeonato Brasileiro. Quanto mais mexer no time, mais tempo demandará para o grupo se entrosar e mais tempo vai demorar para ganharmos os tão esperados títulos. Já estamos no caminho certo, precisamos controlar nosso imediatismo.

Já trouxemos o Rodrigo Caio, que ao contrário do Dedé, tem grande margem para nos dar retorno do investimento financeiro. Além, é claro, do retorno esportivo em campo. Para o Dedé nos dar total retorno esportivo precisaremos de uns 3 anos, e aos 33 anos ele não trará mais nenhum retorno financeiro.

Veja bem: não estou reclamando de gastar mais de 30 milhões em um zagueiro, se as nossas pretensões em 2019 são as maiores possíveis, precisaremos de um time qualificado, é bem verdade. Mas já fizemos isso nessa janela. Títulos não são simplesmente comprados com essas loucuras financeiras, títulos são frutos de um trabalho bem feito e a longo prazo.

Além da chegada do Rodrigo Caio, temos o Léo Duarte em plena evolução, terminando a temporada 2018 como o nosso principal zagueiro. Ainda temos o Rodolfo como opção, e o menino Thuller, que também merece ganhar mais oportunidades. Não tem necessidade de trazer uma outra estrela pra zaga. Precisamos, talvez, de composição de elenco nessa posição.

Grandes investimentos agora devem ser feitos em construtores, executores de jogadas, e não de destruidores de jogadas adversária. Afinal, destruir um lance é muito mais simples do que construí-las. Tragam-me o Arrascaeta, Gabriel Barbosa (com ressalvas), Babel, e cia. Não quero ser sovina, quero ser próspero.

Não adianta nada pagar o preço que for para conquistar o hepta em 2019, depois entrar em bancarrota, crise financeira, e não conseguir mais pagar o elenco. Vai terminar amargando o primeiro rebaixamento de nossa história em 2020. Já estamos nas cabeças, e os títulos consequentemente virão.

Enfim, trazer o Dedé, nesses moldes, é um devaneio… Ou melhor, um “Dedévaneio’‘. O panorama político do Flamengo, nesse início, é preocupante!

“Que os Deuses do futebol estejam com o Flamengo!”

VINNY DUNGA

25 Comentários
Carregando comentários...
Criação de sites e aplicativos para celular