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Arthur Muhlenberg: “A grande ilusão”

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Quando o assunto é Libertadores da América o Flamengo não tem nada a ensinar a ninguém. Nem a seus torcedores mais marrentos, que quando se metem a dar palestrinha sobre a competição continental lembram muito aqueles feministos de coque e barba desenhada explanando as vantagens do parto normal sobre a cesariana pra mulherada. Não sabemos absolutamente nada sobre Libertadores e até que a vençamos mais uma vez raramente seremos levados a sério na resenha. Reparem que o jogo de ontem foi apenas o nosso quinquagésimo numa competição que começamos a frequentar há 38 anos. O que dá uma embaraçosa média de 1,3 jogo por ano! Porra, vai comemorar o quê com esses números esquálidos?

Fodam-se os números, o Flamengo ganhou a segunda seguida na Libertadores. Pode comemorar. Por pouco não consegue um 3×0, placar cabalístico que o Mengão, salvo melhor memória, não reproduz na competição continental jogando em casa desde 23 de outubro de 1981 quando Zico, duas vezes, e Chiquinho deixaram 3 cocos no balaio do Deportivo Cali. Infelizmente, não rolou. Mas foi uma vitória gostosa, sob certos aspectos até tranquila, proporcionada pela maciez da carne assada que era a LDU. Jogo bom pra levantar o astral da torcida rubro-negra, que desde fevereiro tem sofrido um bocado com o girar impiedoso da roda da história.

Quando o juiz trilou o apito sinalizando o final da partida todo mundo tava amarradão. Não era pra menos, o Flamengo aplastou os universitários quiteños sem precisar fazer maiores esforços e fez 1×0 rapidamente. Quando o Flamengo está ganhando o rubro-negro de bem não quer guerra com ninguém. E naquela euforia de ver o Flamengo exercendo pleno domínio até o observador mais rigoroso tende a relaxar os seus critérios de julgamento e a distribuir levianamente elogios e notas 10 a qualquer perna-de-pau.

Durante o jogo ficou evidente que o Flamengo da Libertadores é muito melhor do que o Flamengo do Carioca. Talvez porque sem as paradas técnicas, bizarrice carioca necessária em defesa da salubridade, o time fique menos exposto às ideias do Abel. Eu mesmo, que sou desses nojentos que reclamam de tudo, tive dificuldades pra falar mal do Arão durante o jogo. Não porque como não tinha ninguém pra marcar, e ficou de graça lá na frente o tempo todo, fez várias presepadinhas como puxetas e calcanhas de grande efeito visual. Mas porque quando estamos ganhando de 3×0 geral é irmão e o Flamengo é muito lindo.

Mas basta uma breve análise crítica, sem palhaçadas, sobre o que o Flamengo e a LDU apresentaram em campo pra perceber que a vitória esteve sob risco e que a aparente tranquilidade proporcionada pelo placar foi ilusória. Viagem, doideira, fugazi. A real é que Arão brilhou porque ficou 85 minutos de puro lazer e nos 5 minutos que teve que marcar alguém porque Cuellar saiu mandou um chute suicida contra Diego Alves e logo depois tomamos um gol. Desculpem a rabugice, mas elogiar o Arão como um estroina não paga o meu aluguel.

Numa noite extraordinária em que tivemos a defesa jogando muito bem o time mostrou novamente sua maior fragilidade. Que não é tática ou técnica, mas anímica. O Flamengo, além de mostrar enorme dificuldade pra matar um jogo mole contra um adversário nitidamente intimidado pela atmosfera e pelo impactante apelo visual do fardamento rubro-negro, ainda repetiu o mesmo vacilo do jogo contra a vasca. Em mais uma preocupante demonstração da Síndrome do Déficit de Atenção fez outro pênalti no final do jogo.

É quase inacreditável que um elenco profissional com tamanha experiência, ontem, por exemplo, Leo Duarte era o único moleque em campo, dê um mole desses 3 vezes seguidas. É evidente que é um problema comportamental, pra ser resolvido com muita conversa e acompanhamento psicológico, não é com esporro e nem mandando os caras pagar flexão. O que preocupa é não saber se existe alguém no Flamengo plenamente capacitado pra levar um papo de alto nível com a rapaziada. Porque se esse alguém existisse essa conversa teria rolado depois do Flamengo x vasca e está claro que não rolou. Atenção comissão técnica: essa conversa TEM que rolar. Se não tiver ninguém na casa chamem alguém de fora.

Comemoremos, porque pra nós, patos novos de Libertadores, toda vitória é motivo de festa e chapação. Mas se você saiu do Maraca apaixonado pelo Arão, querendo mandar um engradado de cerveja pro Renê, uma caixa de Moet & Chandon pro Diego Alves ou indicar o Cuellar pro Ministério da Educação (por ser um colombiano especialista em desarmamento e melhor preparado que ao atual titular da pasta), segure a sua onda. Espere o time fazer o seu dever de casa, ou seja, ganhar as próximas duas no Maraca para só então, garantido pela segurança matemática dos 12 pontos em 18 possíveis, encher os caras de elogios, mesmo que exagerados. Para todos os efeitos eles apenas cumpriram com sua obrigação. E sem muito brilho. Era pra ter metido 6, no mínimo!

Por enquanto o único que merece elogios é o torcedor do Flamengo, que além de andar bem vestido e saber fazer festa como ninguém ainda leva a saúde, a educação e o desenvolvimento econômico por onde quer que passe. O mosaico tava foda.

Mengão Sempre

Reprodução: Arthur Muhlenberg | República Paz e Amor

Ver comentários

  • Falou tanto é não disse nada, um texto tão grande que não dá nem vontade de ler, toda a equipe jogou bem custa muito fazer um elogio quando joga bem?ou é melhor ficar enrolando buscando alguém para crucificar?

  • Enchendo o Saco.. e perco tempo lendo uma porcaria dessa... fdp

  • Estou de acordo pois não me iludo mais e fdc quem achar ruim pois cada um acredita naquilo que quiser...
    EBM só contratava refugo ou no meio da temporada e passamos muitos perrengues com isso, vêm a nova diretoria e contrata cedo e muito bem mas o treinador e alguns Bandeiretes querem mais do mesmo ou seja, se iludir com Diego enceradeira e William Molengão e no final, chorar com o "cheirinho"...
    SRN

    • Falou bem. Até na parte do Willian Molengão. Meu, é modinha falar mal do Arão, o cara joga muito bem, aparece sempre na área com poder de decisão, manda no meio junto com o Cuellar.

  • A meta é passar das oitavas, das quartas, da semi e ganhar a final!

    • O problema é que esse aprendiz de comentarista só sabem criticar. Mesmo o Flamengo jogando a melhor partida do ano, parece que esta tudo errado. Não tenho certeza se esse comentarista é de verdade um flamenguista ou se é um vascaíno disfarçado. Tá de brincadeira.

  • Jogou bem, sufocou o time adversário, ganhou os três pontos.
    É líder do grupo.
    Tá bom não?

  • confesso amigo, comecei a ler seu texto, na parte dos FEMINISTOS, fui para o final, entao li sobre cerveja para Rene e Moet Chandon para Daniel Alves, desisti de ler o meio, de qualquer sorte Carmona disse com muita propriedade, O FLAMENGO FEZ A MELHOR PARTIDA DO ANO. Sobre isso sim, vale a pena LER e ESCREVER

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