Yuri Fialho: “Cuellar e Piris da Motta”

Confessei há algum tempo que gostaria de ver Piris da Motta e Gustavo Cuellar juntos na formação medular do Flamengo. A princípio pode soar estranho. E soa mesmo. Sou um entusiasta do futebol técnico, associado, das tabelas, triangulações, jogo apoiado, da imposição articulada que gera superioridade numérica sobre o adversário. Intensidade, fluidez e plasticidade. Mas isso, por ora, não será possível. Pelo menos não com a concepção de jogo eleita pelo treinador. E está claro que não jogará apenas com um volante de contenção, o que afasta a possibilidade de Diego ocupar a vaga de William Arão. Assim, Abel opta por abrir mão da posse de bola e do controle do jogo para ter uma equipe voltada para o contra-ataque. Recuperação da posse e transição veloz ao gol adversário. Embora contrariado, já estou resignado com essa opção. Entretanto, penso que mesmo dentro dessa filosofia defensivista é possível fazer com que a equipe renda mais.

O sucesso da maneira como Abel pensa o jogo depende, em grande parte, do momento e da forma que retomamos a bola e iniciamos o contragolpe. Se a equipe estiver excessivamente retraída e a retomada se der próxima à nossa área de defesa, o contra-ataque se desenrolará em uma extensão maior do campo. O êxito dependerá de quem executará essa transição para que a bola chegue rapidamente (e com qualidade) a Gabigol ou Bruno Henrique com menor risco de ser reconquistada pelo oponente. Diego retém mais a bola, Arrascaeta é mais objetivo, técnico e passa melhor. Por isso o uruguaio se tornou titular da equipe, e assim seguirá se mantiver a excelente atuação da partida contra o Peñarol em Montevidéu. Mas para isso é preciso repensar a dupla de volantes.

A ideia de ter Piris da Motta e Gustavo Cuéllar formando a dupla de volantes é dar maior vigor, juventude e intensidade ao meio-campo, o que aumenta significativamente nosso poder de compactação, marcação e indução do adversário ao erro. Arão é incapaz de oferecer o que o paraguaio pode, pois não desempenha bem a função de volante e tampouco rende como meia. Sem mencionar que muitas vezes deixa Cuéllar exposto e impede sua aproximação ao ataque. Penso que com Piris ao seu lado, Cuéllar pode tornar-se um jogador ainda mais importante para a equipe do Flamengo. Além de exímio marcador, o colombiano também tem bom passe e finaliza bem. É raro vê-lo próximo ao gol adversário porque Arão já está lá; o que inviabiliza sua maior participação ofensiva.

Sempre Flamengo!

Yuri Fialho

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