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Marcos Vinicius: “Sandálias da humildade”

O que não falta são exemplos para que a comissão técnica, jogadores e torcedores do Flamengo, considerem esse 2 a 0 contra o Internacional na noite de quarta-feira (21) como já classificado ou um “oba oba”.

Não se deve cair nessa armadilha, pois os “Deuses do Futebol” adoram pregar peças no quebra-cabeças da luta do eu contra mim mesmo.

Sim, o principal adversário do Mais Querido vai ser ele mesmo.

Temos vários exemplos, que calçar as sandálias da humildade é preciso, como em 1982, onde a equipe rubro-negra começou a competição na fase semifinal (fora campeão no ano anterior), em tempos em que a Libertadores era muito mais enxuta.

Mesmo com Leandro, Júnior, Andrade, Adílio, Zico, Tita e Nunes em campo, perdeu para o Peñarol por duas vezes: 1 a 0 em Montevidéu e foi eliminado com outro 1 a 0 no Rio de Janeiro, no Maracanã, com um gol numa cobrança de falta do brasileiro Jair, ex-jogador do Internacional de 1974 a 1981.

No ano seguinte, cinco dias após ser tricampeão brasileiro contra o Santos, partida esta que marcou a despedida de Zico – o camisa 10 estava indo para Itália, jogar no Udinese -, o Flamengo acabou eliminado na primeira fase de um grupo com Grêmio, Blooming e Bolívar, mesmo tendo vencido este último por 5 a 2. Com reservas, perdeu por 3 a 1 para o Grêmio no Maracanã.

Já em 1984, nas quartas de final do Campeonato Brasileiro, um time recheado de craques como Leandro, Mozer, Júnior, Tita, Adílio e Bebeto, ganhou por 2 a 0 do Corinthians no Maracanã e tomou um passeio de 4 a 1 no Morumbi.

No último ano do século XX, o Flamengo tinha uma equipe muito qualificada com Júlio César, Juan, Gamarra, Athirson, Alex, Petkovic, Edílson, Adriano e Denílson, e mesmo assim, terminou a fase de classificação do Campeonato Brasileiro em décimo quinto lugar, ficando fora dos mata-matas, além de ter sido eliminado nas quartas de final da Copa Mercosul (não havia ainda oitavas), e queda nas quartas de final da Copa do Brasil, perdendo duas vezes para o Santos.
Venceu, como de praxe, o Campeonato Carioca em cima do Vasco, muito pouco para o elenco que almejava voos maiores e não pequenos rasantes.

Pela Copa do Brasil em 2004, contra o Santo André e com Abel no comando da equipe, um empate em 2 a 2 em São Paulo e uma derrota por 2 a 0 em pleno Maracanã, fizeram os quase 72 mil flamenguistas irem para casa desolados naquela noite de 30 de junho.

Uma grande festa com direito a entrega de um placa de bons serviços prestados, marcaria a despedida de Joel Santana do comando da equipe em 2008, já que o carimbado treinador estava indo dirigir a África do Sul. Após um surpreendente 4 a 2, gols de Marcinho (2), Diego Tardelli e Léo Moura, no Estádio Azteca, pela primeira partida das oitavas de final, Joel viu Cabañas, taxado de gordo, calar o Maracanã com três gols e ser desclassificado da Copa Libertadores daquele ano.

Tantos exemplos, apenas para deixar claro que nada está ganho para o Flamengo ou perdido para o Internacional.

Esse Flamengo versão 2019, é um time qualifificado, forte e que sabe muito bem – ou está aprendendo – jogar a principal competição que disputa e que não ganha há 38 anos: a Libertadores.

Essa equipe, comandada por JJ, chuta para longe a mediocridade de muitos treinadores brasileiros que nos acostumaram mal, em ter um zelo desmedido pelo desensivismo cauteloso e chato, vide o exemplo do time de Odair Hellmann.

O básico é jogar, coisa que o Internacional fez questão de não fazer, em uma estratégia absurda de preparar a armadilha a partir da metade do segundo tempo, como fez com o Cruzeiro no Mineirão, há quinze dias, pela Copa do Brasil.

Não funcionou.

Se Flamengo e Internacional fosse jiu-jitsu, os 60.797 pagantes estariam reclamando e a falta de iniciativa da equipe colorada seria punida.

Não sei o que se passou na cabeça do técnico mais vitorioso da história do Benfica, mas começar com Gerson no banco, certamente, demonstrou o quanto o português não é burro.

Sem estar 100%, Arrascaeta, com uma forte virose, Gabigol com dores na coxa esquerda e Rodrigo Caio voltando de lesão, não suportariam os 90 minutos e com um time mais desgastado, lançar o camisa 15 era o plano B que deu certo.

No fim, o saldo foi extremamente positivo, com atuação impecável de Rodrigo Caio, muita garra de Rafinha, Cuéllar e Willian Arão, bom jogo de Filipe Luís e Bruno Henrique e Gerson jogaram muito, literalmente comeram a bola.

Mas por favor, freiem o “já ganhou”, pois as sandálias da humildade devem ser calçadas imediatamente.

Até porque, no Beira-Rio, o Internacional é infinitamente outro Internacional, diferentemente do time acovardado que foi no Maracanã.


Por: Marcos Vinicius
Twitter: @ViniciusCharges

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2 Comentários

  • Marcos Vinicius EXCELENTE comentário, você puxou um passado que não é bom lembrar, mas, extremamente necessário para que os erros cometidos não se repitam, apenas um adendo, no ano de Alex, Denilson, Pet, o sr. Edmundo Santos recebeu uma fortuna da isl para, quitar dividas do mengão, terminar o Ninho e comprar jogadores, ele simplesmente torrou tudo comprando jogadores, quando a isl faliu, ele parou de pagar os salários e foi aquilo que você contou, por isso admiro tanto Eduardo Bandeira.

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