Rodrigo Coli: “Final da Libertadores – Desorganização é o sobrenome da Conmebol”

FOTO: DIVULGAÇÃO/CONMEBOL

Não foi necessariamente uma surpresa a dificuldade geral encontrada pela Conmebol em gerir sua primeira final em sede única de Copa Libertadores. Apesar da imprevisível implosão de incidentes de cunho social e político ocorridos no Chile, vários foram os aspectos falhos na organização do evento. Ainda que não houvesse sido necessária a troca da sede, permaneceriam inúmeras dúvidas que nos levariam a questionar até onde a organização teria ou não funcionado.

Primeiramente, lembremos que o novo modelo de final também foi adotado para a Copa Sul-Americana, disputada, inclusive, no último dia 9 em terras paraguaias. O que é muito curioso nessa história é que a nova sede da Final da Libertadores, o Estádio Monumental do Peru, fica apenas a 15 km, equivalentes a 30 minutos de carro, da primeira sede da Final da Copa Sul-Americana, o Estádio Nacional de Lima. Esta partida, contudo, foi alterada para o Defensores del Chaco sob a alegação por parte da Conmebol que a capital peruana apresentava “falhas na organização” e que o estádio em questão não apresentaria as condições necessárias para uma partida deste porte em tempo hábil. Ora, compreende-se a urgência em se encontrar uma solução perante o impasse vivenciado, mas como o Plano B (ou C) da entidade é justamente a capital que não teria sequer condições de sediar uma final secundária? Lembremo-nos, ainda, de que a mudança foi anunciada em 9 de maio, ou seja, 6 meses antes da partida ocorrer. Se em 6 meses não haveria tempo de se organizar a final da segunda competição de clubes da América do Sul, como é que em três semanas se organizará a final da primeira competição do continente nesta mesma localidade?

Outra questão completamente ignorada pela organização continental do evento é a viabilidade logística. As passagens para Santiago, que podem ser frequentemente encontradas por preços abaixo da casa dos mil reais, chegaram instantaneamente aos 7 mil reais. Voos diretos eram raros e caríssimos, e a distância por terra demandaria no mínimo 2 dias de viagem. Como se nada pudesse piorar, ao se alterar a partida para Lima, preços que ultrapassaram a dezena de milhar foram constantes até o esgotamento de voos diretos saindo do Rio de Janeiro. No desespero e na busca, encontra-se até destinos com conexões nos Estados Unidos, por mais incrível e anti-geográfico que isso possa lhe parecer. As opções terrestres, cansativas antes, agora levariam de 5 a 6 dias ao novo destino final.

Também foram marcantes os problemas enfrentados pelo Paraguai. Apesar da partida entre Colón e Independiente del Valle ter sido considerada um sucesso, atraindo o maior número de torcedores visitantes da história para uma partida internacional em nossas terras com os mais de 30 mil argentinos presentes, a malha hoteleira local chegou a seu limite. Assunção, até então tomada como plano B favorito da Conmebol para a Libertadores, teve que ser descartada por sua incapacidade de hospedar mais visitantes e de garantir sua segurança.

Em suma, a Conmebol mais uma vez deprecia seu principal produto. Ao adotar um modelo que pode até ser considerado interessante, mas sem nenhum planejamento a altura, a entidade entrega o sonho de milhões de torcedores a absurdos financeiros e ao acaso, levados em conta todos os poréns abarcados pelas falhas até aqui encontradas. Há muito por se fazer, mas levando em conta o histórico de nossos comandantes máximos não nos restam esperanças.

SRN!
Rodrigo Coli
Twitter: @_rodrigocoli

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