“Hora de construir um Brasileirão de verdade”, diz PVC ao ver lado positivo em rompimento da Globo com Carioca

FOTO: MARCELO CORTES / FLAMENGO

Em meio à batalha judicial com a Rede Globo, o Flamengo transmitiu a vitória por 2 a 0 em cima do Boavista, na última quarta-feira (01). Com isso, a emissora decidiu por romper os contratos com os clubes do Rio de Janeiro e também com a FERJ, cancelando assim toda ou qualquer transmissão do Campeonato Carioca – vinculo tinha duração até 2024. Em seu blog no site do Globo Esporte, Paulo Vinícius Coelho decidiu enxergar o lado positivo da situação e projetou que as equipes da Série A do Campeonato Brasileiro se juntem para montar o que chamou de “Brasileirão de verdade“.

O que aconteceu na quinta-feira, com o anúncio da ruptura do contrato do Campeonato Carioca, é o início do fim dos estaduais. Há dirigentes importantes de clubes grandes do país, como Bahia e Grêmio, que também pensam assim. O rompimento do Carioca indica que a televisão não vai mais financiar campeonatos estaduais desinteressantes, ainda mais sem segurança jurídica. Isso se junta à dificuldade de terminar campeonatos como o gaúcho e o goiano, que podem ser concluídos neste ano sem proclamar campeões. O Brasileirão deve começar dia 9 de agosto“, escreveu, antes de prosseguir:


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Uma certeza é que a ruptura não deixará os estaduais como eram. Os contratos do Gaúcho, Mineiro e Baiano terminam em 2021. Se não tem carioca, por que transmitir Jacuipense x Vitória para a Bahia? Para os grandes clubes, impõe-se um desafio: construir um Campeonato Brasileiro de verdade. Chega de fingir que este modelo atual é suficiente. Não é. Ninguém na Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália está interessado em ver nenhum jogo de nosso melhor torneio. Só em Portugal. Convenhamos que ninguém aqui está interessado em ver um Benfica x Porto, o que explica em parte por que eles querem nos ver — além da beleza do Flamengo de Jorge Jesus“, opinou.

Muitos jornalistas acreditam que os valores do direito de transmissão do Campeonato Brasileiro precisam ser melhores distribuídos, visando um maior equilíbrio entre os clubes da primeira divisão. Paulo Vinícius Coelho foi ao encontro da ideia e sugere justamente isso. Na visão do repórter, essa atitude faria com que o Brasileirão fosse mais equilibrado.

Se a quinta-feira foi o início do fim dos estaduais como conhecemos, esta sexta precisa ser o começo de uma nova era em que executivos pensem no Brasileirão como um produto que precisa se aperfeiçoar ano após ano. Isto significa divisão de receita de maneira equilibrada, para que diferentes times se revezem na briga pelo troféu. Se houver desequilíbrio, só se for pela competência e organização, nunca pela distância financeira“, comentou o jornalista, que concluiu:

“Sem o estadual, Vasco, Botafogo e Fluminense perderão R$ 18 milhões e terão suas receitas se aproximando perigosamente do Bahia, que tem mais organização. Razão para que também entrem na briga para fazer um torneio nacional de verdade. Passou da hora de ter um Campeonato Brasileiro competitivo, atraente, que o planeta queira ver. Se não for agora, daqui a dez anos haverá mais e mais adolescentes torcendo pelo Real Madrid, Barcelona, Liverpool, Manchester City, Manchester United. Talvez até mais do que pelos maiores clubes deste ex-país do futebol“, encerrou.

Vale ressaltar ainda o fato de que nos últimos dez anos, o título do Campeonato Brasileiro foi conquistado por duas vezes por Fluminense (2010 e 2012), Cruzeiro (2013, 2014) e Palmeiras (2016, 2018), e três vezes pelo Corinthians (2011, 2015, 2017). O Flamengo levantou o troféu em 2019, quando passou a ser discutido com maior veemência sobre um possível “desequilíbrio” no futebol nacional.

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