Críticas, elogios e ressalvas: Pré-candidatos à presidência do Flamengo falam sobre balanço financeiro

MONTAGEM: ARQUIVO PESSOAL E UNI FLA

Por Tulio Rodrigues

A eleição do Flamengo acontece em dezembro deste ano. No último mês de 2021, iremos saber quem comandará o clube pelos próximos três anos (2022-2024). Rodolfo Landim, que vai tentar a reeleição, Marco Aurélio Asseff e Walter Monteiro, já coloraram seus nomes para o pleito. Nesta quinta-feira (01), o Mais Querido publicou em seu site o balanço financeiro de 2020 e pré-candidatos fizeram suas análises.


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Pelo Twitter, Marco Aurélio Asseff fez uma analise crítica. Ele destacou que o resultado financeiro foi o pior desde 2008, disse que a gestão atual não fez corte de gastos, do pouco benefício aos sócios-torcedores e questionou o pagamento a intermediadores na contratação de jogadores.

CONFIRA NA ÍNTEGRA O QUE DISSE MARCO AURÉLIO ASSEFF SOBRE O BALANÇO FINANCEIRO DE 2020:

O Clube de Regatas do Flamengo divulgou hoje seu Resultado Financeiro referente ao ano de 2020. E confesso que estou, pra dizer o mínimo, preocupado. O clube apresentou um déficit de R$ 107 milhões, o pior resultado financeiro desde 2008.

É óbvio que temos ciência do impacto da pandemia e de que alguns valores de transmissão só serão contabilizados em 2021, porém a atual gestão não mostrou capacidade em reduzir gastos de acordo com o corte das receitas. E não para por aí.

Nenhum benefício foi criado para os Sócios Torcedores de modo a manter nossa base. Saímos de mais de 125 mil em dezembro de 2019 para 50 mil em dezembro de 2020. A diretoria ainda mantém premissas perigosas, como a volta da torcida para os estádios em abril, sendo que vivemos o pior momento da pandemia na história do País. Muitas informações na divulgação financeira são, no mínimo, dignas de explicação: R$ 26 milhões com intermediação de compra de jogadores, endo R$ 4,3 milhões com Bruno Henrique que nem foi contratado em 2020; R$ 4,5 milhões a pagar para a empresa MP Eventos pelo Renê, jogador que é do clube há mais de três; R$ 8 milhões pagos a título de salário para Diretores.

Vou mergulhar fundo nesse balanço para que o Flamengo não corra o risco de voltar a viver momentos sombrios nas finanças e colocar tudo a perder“.

A PUBLICAÇÃO ORIGINAL:

Walter Monteiro adotou um tom mais ameno e técnico. Elogiou os números considerando o cenário da pandemia, destacou que a preocupação é com o futuro, criticou o orçamento aprovado para este ano e sobre a falta do poder de investimento do clube, que não é o mesmo de anos anteriores.

CONFIRA NA ÍNTEGRA O QUE DISSE WALTER MONTEIRO SOBRE O BALANÇO FINANCEIRO DE 2020:

Li o Balanço Patrimonial do Flamengo de 2020. Vamos direto ao ponto: os números são bons, considerando a conjuntura atípica e ano “que não terminou”, já que parte substancial da receita (R$ 88MI) só entrou em 2021.

O clube fez bem em criar um registro paralelo, chamando de “2020/A” (ajustado) o que teria sido o ano não fosse a prorrogação da temporada. É nesse registro que devemos nos concentrar. Com R$ 88MI a mais de receita, o déficit contábil de R$ 106MI cairia bastante.

O que preocupa, no Flamengo, não é o que aconteceu, mas sim o que pode acontecer em 2021, a partir do desastrado orçamento. Fiz uma tabela comparativa do fictício “2020/A” com o orçamento de 2021, observem:

Não custa lembrar que o Flamengo apresentou e aprovou esse orçamento em dezembro, quando a pandemia já dava mostras de crescimento. Provavelmente acreditou na palavra dos negacionistas de sempre, que insistem em minimizar os efeitos devastadores da Covid.

Assim, se o ano de 2020 realmente não trouxe grandes preocupações para o CRF, o ano de 2021 aumenta o panorama de incertezas, porque a projeção de receitas, exageradamente otimista, trará a obrigação de encontrar meios de honrar as altas despesas que temos.

Não custa lembrar que só o futebol custou R$ 583MI em 2020 e nada leva a crer que será muito diferente disso em 2021. Até porque, por força das obrigações contratuais, um ajuste profundo não se faz de uma hora para outra.

A situação do Flamengo preocupa no curto prazo? Não, de jeito nenhum. Mas o clube não tem mais o potencial de investimento que tinha e, muito mais do que isso, tem uma crônica dificuldade de lidar com a realidade que o cerca, o que chega a ser surpreendente.

Claro que há muitos outros detalhes a comentar sobre o balanço, mas eles não cabem em um fio no TT. Queria apenas destacar que a situação financeira não assusta, mas tb já deixou de ser confortável.

Só um comentário final: depois de tantos anos tendo balanços aprovados pela auditoria, voltamos a ter uma pequena ressalva, relativa à contabilização dos atletas em formação. Nada grave, mas nunca é bom deixar de levar nota 10 da auditoria depois de anos impecáveis“.

A PUBLICAÇÃO ORIGINAL:

Já o atual mandatário Rodolfo Landim, se manifestou no próprio balanço. O dirigente fez uma análise num longo texto chamado de “Carta do presidente”. Na publicação, revela as dificuldades financeiras encontradas por conta da pandemia, a falta do público nos estádios, os planos de contingência desenvolvidos para mitigar riscos e afirmou que foi alcançado um patamar de receitas “bastante elevado“.

CONFIRA NA ÍNTEGRA O QUE DISSE RODOLFO LANDIM SOBRE O BALANÇO FINANCEIRO DE 2020:

CARTA DO PRESIDENTE

O ano de 2020 será lembrado como um ano de enormes dificuldades para nossa vida em sociedade. A crise sanitária deflagrada pela pandemia do COVID-19, que nos atingiu de forma repentina no início do ano, segue até hoje sem previsão precisa de arrefecimento.

Particularmente para o segmento do esporte, o impacto mais significativo foi representado pelo cancelamento, paralização e postergação de competições em todo o mundo, bem como pela proibição e impossibilidade da presença do público nos estádios. Além disso, foi necessário definir e implantar novos procedimentos para garantir proteção à saúde de colaboradores, atletas, fornecedores e demais partes envolvidas na realização de eventos esportivos e na operação do dia a dia das entidades esportivas. Como um dos líderes do setor, o Clube de Regatas do Flamengo desempenhou importante papel nesse processo tendo contribuído nas discussões a respeito dos protocolos de prevenção adotados nas competições nacionais e sulamericanas e trabalhado de forma incansável para minimizar os efeitos da crise, nos âmbitos esportivos, corporativos e sociais.

Nesse sentido, os planos de contingência desenvolvidos para mitigar os riscos às finanças do Clube e, principalmente, à saúde de nossos empregados, sócios e atletas nortearam nossas ações e a tomada de decisões ao longo de todo ano. Apesar da forte pressão trazida pelo cenário externo, nossos resultados econômico-financeiros e esportivos de 2020 denotam o compromisso com eficiência de gestão em todas as nossas atividades. Inevitavelmente parte relevante de nosso faturamento foi impactado, notadamente pelo adiamento de competições, pela ausência de público nos estádios e pela redução dos recursos disponíveis no mercado publicitário brasileiro. Apesar disso, atingimos um patamar de receitas bastante elevado para os padrões do mercado brasileiro e mantivemos nosso grau de endividamento em níveis compatíveis com a nossa capacidade de pagamento.

A crise econômica, portanto, não interrompeu nossas estratégias de fortalecimento da marca e aumento da competitividade; ao contrário, demos sequência aos planos de investimentos relacionados à modernização de nossas instalações, inovação, digitalização e produção de conteúdo e qualificação técnica do nosso elenco de Futebol, não apenas pela aquisição e renovação contratual de atletas de ponta como também pelo investimento nas nossas categorias de base – foram 13 os atletas formados no Clube promovidos à Equipe Principal durante o ano.

Nos gramados, além dos títulos inéditos da Recopa Sul Americana e da Supercopa do Brasil conquistamos pelo segundo ano consecutivo o Campeonato Brasileiro e o Campeonato Carioca, reafirmando nossa força nacional e internacional.

Ao longo do ano seguimos no topo também nos rankings de seguidores e engajamento das redes sociais e reforçamos nossa posição como maior plataforma de mídia do futebol sulamericano e uma das maiores do mundo, contando com 892 milhões de interações nas principais plataformas. Além disso, em um ano marcado pelas lives nas mídias digitais, a FlaTV ultrapassou a marca de 6 milhões de inscritos e ocupou o posto de terceiro maior canal de Clubes do mundo, atrás apenas de Real Madrid e Barcelona.

Apesar do cancelamento de grande parte de competições e eventos de todas as modalidades esportivas no ano, demos sequência às atividades de desenvolvimento dos Esportes Olímpicos, com destaque para projetos de aumento de receita e reformulação de equipamentos e instalações esportivas e para iniciativas de capacitação técnica de nossos profissionais e de inovação tecnológica voltada ao esporte. Como parte do que planejamos, temos convicção que mediante a gradativa volta à normalidade do calendário de competições esportivas retornaremos nos próximos anos a celebrar conquistas rubro negras nas raias, piscinas e ginásios pelo mundo.

Durante a paralisação das atividades na nossa sede social, nos preparamos para que a retomada do funcionamento do Clube, após autorização dos órgãos competentes, se desse de forma segura para atletas, sócios e colaboradores, segundo rígidos protocolos de proteção à saúde embasados pelas Regras de Ouro da Prefeitura do Rio de Janeiro. Além disso, com a redução significativa da circulação de pessoas na Gávea, ginásios, piscinas e o campo sintético passaram por reformas e manutenção, e mesmo com as limitações impostas mantivemos sem alteração significativa nossa base de sócios e de alunos das escolas esportivas.

Na tentativa de combater os impactos socioeconômicos da pandemia, entramos também em campo para chegar a locais onde as condições habitacionais e de infraestrutura são precárias e faltam serviços básicos. Celebramos parceria com o Viva Rio e lançamos a campanha Nação Solidária, para distribuição de cestas básicas, cartões de alimentação, produtos de higiene e limpeza, máscaras de proteção e álcool em gel a cerca de 5.000 famílias, pessoas em situação de rua, trabalhadores informais do Maracanã e atletas de futebol masculino e feminino de clubes das Séries B1 e B2 do Campeonato Carioca.

Apesar de todos os impactos provocados pela pandemia, o Clube não deixou de honrar os compromissos financeiros com seus colaboradores, fornecedores e demais parceiros comerciais. Da mesma forma, mantivemos integralmente em dia nossas obrigações trabalhistas, previdenciárias e fiscais tendo desembolsado aproximadamente R$ 41 milhões no ano para o pagamento de impostos e encargos.

Muito além da preservação da saúde financeira e da capacidade de pagamento, a necessidade de responder aos desafios impostos pela pandemia refletiu-se, mais do que nunca, no nosso comprometimento para gerar mudanças sociais positivas, transformando valores em ações.

Rodolfo Landim
Presidente do Clube de Regatas do Flamengo”

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  • O maior erro desta diretoria é a política de vender barato jogadores promissores da base, como ocorreu com Natan , e pagar salários milionários para atletas RESERVAS, que pouco acrescentam quando entram em campo, como Vitinho,Léo Pereira e Renê. Obviamente, manter jogadores como Gabigol, Arrascaeta, Everton Ribeiro , Pedro e outros titulares custa caro, mas eles se pagam porque ganham títulos. Sei que é difícil renegociar contratos como o de Vitinho, feito em gestões passadas, mas a atual diretoria poderia ter trazido por empréstimo Léo Pereira e Michael com opção de compra. Agora seria fácil se livrar deles. Por outro lado, não vejo propostas consistentes desses dois candidatos da oposição. Um deles critica a previsão da volta do público aos estádios em abril( o que não vai acontecer obviamente), mas o que ele sugere? Ele quer o Flamengo compre as vacinas para o Governo e vacine toda a população brasileira, sabendo que até os países desenvolvidos não conseguiram vacinar sua população inteira ainda? Enfim, são críticas vazias porque não trazem soluções

  • Manda os medalhões embora e usa a base