Especialista detalha lesão de Pedro, explica opção de tratamento e projeta prazo para retorno ao Flamengo

FOTO: REPRODUÇÃO/ INSTAGRAM

Por: Nathalia Coelho e Letícia Marques

No último domingo (24), o Flamengo informou que Pedro precisará passar por uma artroscopia no joelho direito. Após a confirmação do procedimento cirúrgico, o Coluna do Fla consultou a Fisioterapeuta Especialista em Ortopedia e Traumatologia (UNIFESP), Nágela Freitas, que explicou as opções de tratamento e as estimativas de prazo para que o camisa 21 retorne aos gramados.

Especialista no assunto, Nágela explicou desde os detalhes da lesão até as opções cirúrgicas e de tratamento oferecidas ao Pedro. Vale ressaltar que, apesar não ter confirmado oficialmente, o médico de confiança do atleta, Dr. Luiz Antônio Vieira, junto ao Flamengo e ao próprio jogador, ao que tudo indica, optaram pela meniscectomia, visto que o prazo de retorno fica em torno de três a seis semanas.


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VEJA A EXPLICAÇÃO DETALHADA:

“Para começar, vamos entender um pouco sobre a estrutura e sua função.

Os meniscos são estruturas semicirculares de fibrocartilagem que estão localizadas no centro do joelho e agem como amortecedores de impacto. Eles aumentam a estabilidade e ajudam a distribuir a carga de maneira ‘uniforme’ em todo o joelho, reduzindo a carga na cartilagem articular, ao mesmo tempo em que contribuem para a propriocepção, nutrição da cartilagem e lubrificação.

As lesões do menisco são comuns na população jovem e atlética, e são particularmente prevalentes em esportes de contato e pivô, como no caso da função do Pedro em campo.

As lesões de menisco são muito diferentes umas das outras e entender as características de cada uma é fundamental para indicação do tratamento ideal e determinar a recuperação. Então existem diferentes opções de tratamento frente a algumas variáveis.

O primeiro ponto que temos é de qual menisco foi lesado: o menisco medial ou o menisco lateral. O menisco medial suporta 50% da carga axial, enquanto o menisco lateral suporta até 70%, ou seja, lesões no menisco lateral são mais graves e em consequência maior tempo de recuperação. Felizmente as lesões de menisco medial são muito mais frequentes do que lateral.

Além da localização do menisco, é levado em consideração também os tipos de lesões meniscais. O correto entendimento do formato da lesão permite uma programação melhor na escolha do tratamento, uma vez que algumas destas lesões podem responder melhor a determinados tipos de tratamento.

Outro ponto é a localização específica da lesão no menisco, que podem estar localizadas mais para a periferia ou mais para o centro. Quanto mais periférica, maior a vascularização e melhor a condição para cicatrização. As lesões fora da zona vermelha – zona que recebe o suprimento sanguíneo – tem chances menores de cicatrização.

RESUMINDO
Zona vermelha: periferia do menisco, bem vascularizada, melhor recuperação;
Zona vermelho-branca: porção média do menisco com vascularização periférica;
Zona branca: porção central e avascular do menisco, pior recuperação.

A decisão de realizar cirurgia é complexa e multifatorial. Para um atleta, a presença de dor persistente e incapacidade de retornar ao alto nível atlético pode levar à cirurgia. Levantado os pontos sobre tipo de lesão e localização, agora, vamos ao ponto: Quais as opções cirúrgicas? São duas mais básicas: Meniscectomia e Sutura/Reparo Meniscal via artroscópica (cirurgia minimamente invasiva, com uso de câmeras para acesso).

Meniscectomia é a retirada do pedaço lesado. Reservada em casos em que o tecido é inviável ou existe um potencial de cura não satisfatório. Esse foi o procedimento realizado pelo Arrascaeta, em 2019, e que o fez retornar em 21 dias. Mas essa opção tem um problema: vários estudos mostraram maiores taxas de desenvolvimento de osteoartrite de joelho após meniscectomia, ou seja, a longo prazo, esse tipo de procedimento pode levar ao desgaste precoce no joelho. Pensando na recuperação, a retirada do pedaço lesado tem uma reabilitação muito rápida sem qualquer restrição de movimento, carga e retorno ao esporte em média de 3 a 6 semanas.

Já o reparo meniscal é a sutura (dar pontos) da região lesionada, sem a retirada a fim de preservar o tecido meniscal, o que a longo prazo é muito mais saudável, o ideal é sempre preservar os meniscos, principalmente se tratando de atletas jovens. Recentemente Ansu Fati, do Barcelona, sofreu essa mesma lesão e foi optado pelo reparo, justamente pensando no futuro do jogador, já que ele é uma promessa no time espanhol. Entretanto o tempo de recuperação do reparo é muito mais longo, em média de 4 a 6 meses, ou até mais, conforme o atleta for atingindo todos os critérios para alta e retorno ao esporte.

A questão é essa: não existe certo ou errado, existem opções com prós e contras. Agora, vamos ver o que o Flamengo e jogador irão decidir, com certeza todos esses pontos foram discutidos e só a partir disso saberemos quanto tempo levará para o retorno do jogador aos gramados”.


O Flamengo correu contra o tempo e, na última segunda-feira (25), realizou a artroscopia no Pedro. O clube, por enquanto, não especificou o procedimento feito pelo Dr. Luiz Antônio Vieira, médico de confiança de Pedro. Ao que tudo indica, foi feito a menisectomia, mesmo procedimento realizado no Arrascaeta, em 2019. Em meio a isso, o Rubro-Negro espera que o atacante tenha uma recuperação entre três a quatro semanas e esteja à disposição para a Libertadores.

Pedro tem previsão de alta para esta terça-feira (26) e o tratamento de fisioterapia está agendado para a quarta (27). Nesta mesma data, o camisa 21 fica na torcida, visto que o Rubro-Negro entra em campo contra o Athletico-PR em busca da classificação à final da Copa do Brasil. O duelo acontece às 21h30 (horário de Brasília), no Maracanã.

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