Tímido nas palavras, mas arrojado dentro de campo, Jorge Luiz foi o principal personagem de uma polêmica nas últimas semanas. Uma semana após marcar um gol heroico na virada sobre o Mogi Mirim, pela Série C do Brasileiro, ele anunciou sua rescisão com o Macaé. Os motivos não foram esclarecidos. Sabe-se apenas que uma cobrança de um membro da diretoria no intervalo daquela partida irritou o meia, que retornou imediatamente ao Friburguense, clube pelo qual disputou o Carioca no início do ano.
Antes do Tricolor da Serra, Jorge passou pelo America-RJ, Profute e Ivinhema-MS. No currículo, também tem uma passagem curta, mas proveitosa pelo Flamengo em 2012. Foram apenas três meses. A estreia pelo Fla foi num amistoso contra a seleção do Piauí, em Teresina. Ele entrou no segundo tempo, no lugar de Renato Abreu e atuou por alguns únicos minutos. Depois disso, não vestiu mais a camisa rubro negra.
– Foi uma satisfação imensa. Fui da base do Flamengo e retornei como contratado. Foi uma alegria até para o meu pai. Muita felicidade mesmo! – lembra.
A volta ao Friburguense aconteceu com o clube na Série D do Brasileirão. E uma decepção no fim: uma derrota dolorosa para o Crac-GO, nas quartas de final da competição.
– Aquele jogo mudaria a vida de todos os jogadores do Friburguense.
Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, o meia arisco na perna esquerda revelou detalhes da polêmica no Macaé, lembrou momentos da passagem pelo Flamengo, destacou lances de sua carreira e falou sobre a realidade do Friburguense. Confira agora na íntegra.
Depois de passar por três clubes, America, Profute e Ivinhema-MS, como veio parar no Friburguense?
– Foi através de um empresário que tinha contato com o (José) Siqueira (gerente de futebol do Friburguense). Ele assistiu a um jogo meu, gostou e conversou sobre minha vinda pra cá. Eu vim, fiz uma boa Copa Rio em 2010, agradei à diretoria e fiquei pro Carioca do ano seguinte.
Em 2011 você teve uma contusão que te afastou por um período razoável dos gramados. Como foi esse tempo longe dos campos?
– Tive uma contusão no púbis e fiquei bastante tempo fora, três meses. Depois voltei e senti outra contusão. Só consegui voltar quase no fim da Série B.
O que a campanha do acesso em 2011 acrescentou na sua carreira?
– Eu amadureci muito. Depois que aconteceu aquela tragédia aqui, a rapaziada se uniu e decidimos que pelo menos tínhamos que voltar para a primeira divisão, para dar uma alegria para o povo.
Na sequência, a derrota para o Madureira, em pleno Eduardo Guinle, na final da Copa Rio?
– Aquele jogo foi… (fica em silêncio por um tempo) Realmente era para acontecer. Se o campo tivesse seco certamente seríamos campeões, mas o gramado encheu d’agua, não tinha condições de jogo. A chuva atrapalhou, mas acontece, nosso time também era baixo e eles eram muito altos. Isso deu o título ao Madureira.
Em 2012, depois de um bom campeonato Estadual pelo Friburguense, surgiu uma chance no Flamengo. Como foi esse momento?
JL: Foi uma satisfação imensa, fui da base do Flamengo e retornei como contratado. Foi uma alegria até para o meu pai. Foi muita felicidade mesmo!
E o ambiente lá, como era?
– O ambiente era bom, só não tive muitas oportunidades de mostrar meu futebol e continuar lá, mas acontece, é assim mesmo.
A que você atribui essa falta de oportunidades?
– Não tem como explicar. Eu estava treinando bem, o grupo também elogiava meu desempenho… Mas eu não sei o que aconteceu.
De quem você se aproximou mais lá no clube?
– Eu conversava muito com o Amaral. O Kleberson também é muito gente boa, o Renato também.
Depois dos três meses, você retornou ao Friburguense e disputou a Série D do Brasileiro. E aquela derrota para o CRAC-GO…
– Fizemos uma Série D que o Friburguense nunca tinha feito. Tivemos chances de subir, mas, infelizmente, ficamos eu um erro de marcação nosso mesmo. Estava 3 x 0 e tomamos um gol de contra ataque, mas é o futebol.
Friburguense 2 x 2 Serra Macaense, Friburguense 2 x 3 Madureira ou Friburguense 3 x 1 CRAC-GO: Qual a maior decepção?
– Friburguense x CRAC. Aquele jogo mudaria a vida de todos os jogadores do Friburguense.
E em 2013, no Estadual teve até gol contra o Fluminense…
– Foi muito bom. Vinhamos embalados, com vitorias seguidas, e abrimos 2 x 0 no Fluminense com um gol meu. Foi uma felicidade imensa.
No Macaé, você teve a possibilidade de jogar a Série C com muitos companheiros vindos do Friburguense. Isso ajudou de alguma maneira?
– Ajudou sim. A turma já era entrosada, com três anos de Friburguense, jogando juntos. Chegamos ao Macaé e fizemos bons jogos, por conta do entrosamento. Mas aconteceu de eu sair de lá.
Jogo contra o Mogi Mirim. Você entrou, fez o gol da vitória, comemorou de maneira efusiva… O que aconteceu naquele jogo?
– Eu estava no banco, estávamos perdendo por 1 x 0 e eu entrei antes do fim do primeiro tempo. No intervalo, a diretoria deles entrou no vestiário cobrando algumas coisas que eu achei que estavam errados, e eles achavam que estavam certos. Esse foi um dos motivos daquela comemoração.
Quem cobrou e o que foi cobrado no vestiário?
– Foram diretores do Macaé, e cobraram coisas de vestiário mesmo
E todos os jogadores sentiram a mesma coisa ou foi uma reação particular sua?
– A maioria dos jogadores ficou bem chateada com o que houve. Mas como eu fiz o gol e aconteceu tudo daquela maneira, foi o motivo pelo qual eu extravasei daquela maneira.
Ficou alguma mágoa depois desse fato?
– Não. Fui lá, fiz minha rescisão. Conversei com o presidente e com os diretores, e resolvemos tudo. As portas ficaram abertas.
A disputa na Serie C continua. Tem vários amigos seus lá, e a torcida acaba sendo natural, não é?
– Torço pelos meus amigos, de três anos jogando juntos. Torço para que subam para a Série B.
Voltando ao Friburguense, você tem consciência da sua responsabilidade como camisa 10 e maestro do time?
– Tenho sim. Os meninos foram embora, mas tem um grupo muito bom aqui. Dá para chegar na Copa Rio, com certeza. Espero o título da Copa Rio. O único recado que podemos deixar para a torcida é que mesmo com algumas derrotas em amistosos, quando começar pra valer o grupo vai se dedicar ao máximo para ser campeão.
E sua projeção para o ano que vem?
– Vamos ver o que vai acontecer.
Fonte: GE

