A torcida do Flamengo remarcou seu território e provou que o Maracanã é o quintal de casa. Décimo segundo jogador na vitória épica sobre o Cruzeiro, a Nação Rubro-negra restabeleceu o pacto esquecido pelos anos de obra e modernização do estádio. A classificação para as quartas de final da Copa do Brasil só mudou o tipo de pressão que a diretoria sofrerá, em meio a contabilidade dos lucros e altos custos. Das arquibancadas até a geração campeã do mundo , o pedido é um só: “O Maraca é nosso”.
— Na nossa época, sempre foi um fator decisivo, mesmo com um grande time. O Flamengo hoje está se montando e não pode ser dar ao luxo de jogar em qualquer lugar. Hoje tem que jogar no Maracanã — defende Andrade.
Maior ídolo do clube e defensor da atual gestão, Zico faz as vezes dos dirigentes, que não quiseram se pronunciar, e entende o mando de alguns jogos longe do Rio, mas pede esforço para a volta ao Maracanã.
— O Maracanã é e sempre foi a casa do Flamengo e tem que continuar sendo. Agora, diante das dificuldades, o clube se fez presente jogando em outras praças, sem prejuízo técnico e financeiro. A diretoria tem que lutar para estar no Maracanã e quem administra colocar na frente o interesse dos torcedores e não o lucro — argumentou.
Não é apenas pelo estádio lotado. É pelo envolvimento, a química da torcida carioca com o time em momentos de dificuldade, como nos clássicos contra Botafogo e Fluminense no último mês.
— A torcida do Rio é mais vibrante, empurra mesmo nas dificuldades, você se agiganta, não sente cansaço, dor, vai no embalo. O Flamengo já teve time muito abaixo desse, que foi na base da superação pelo grito da torcida. Existia uma química com o Maracanã. E o time hoje precisa ainda mais da torcida — sustenta o Tromba.
Nunes, o Artilheiro das Decisões, não tem a menor dúvida de afirmar que a torcida levou o time ao ataque e, por consequência, à vitória sobre o Cruzeiro. Aos 43 minutos do segundo, Elias fez o gol da classificação.
— Os jogadores se sentem protegidos e partem para cima. Aonde o Flamengo for, vai ter sempre estádio cheio, mas a casa do Flamengo é o Maracanã. A torcida sempre fez a diferença e foram eles que ganharam esse jogo.
Autor do gol da classificação, Elias já começa a entender a magia. O herói sabe que não depende dos jogadores a decisão sobre o mando de campo, mas já sentiu na pele duas vezes a emoção de ser o nome do jogo no estádio: contra Botafogo e Cruzeiro.
— O torcedor que leva o time. É importante a gente continuar jogando no Maracanã. A torcida carioca que fez o clube ganhar títulos, sabe empurrar e incentivar na hora certa — atesta Elias, o novo ídolo rubro-negro.
Custo joga contra
Passado o calor e a emoção de mais um reencontro entre torcida e Flamengo no Maracanã, os custos com o uso do estádio saltaram aos olhos da diretoria, que não vê mais vantagem no acordo feito. Os dirigentes têm tido encontros regulares com o consórcio em busca de redução de despesas. A receita total do jogo foi de R$ 2,266 milhões, sendo que o time da Gávea ficou com apenas R$ 734.623,15, fora uma penhora de mais R$ 110 mil.
No total foram consumidos quase R$ 1,5 milhão com despesas e com a fatia da Maracanã S/A, que é igual à rubro-negra. Mas na prática o Flamengo ficou com 28% de lucro líquido no jogo com o Cruzeiro pela Copa do Brasil.
Para piorar a relação, o clube não consegue fazer ativações de seu programa sócio-torcedor e vê uma logística falha da Odebrecht e IMX. O custo operacional beira os R$ 400 mil incluindo o caro quadro móvel e desanima.
Portanto, segue a dúvida se os jogos com mando de campo rubro-negro serão no Maracanã ou Brasília, onde o clube arrecada bem mais. A diretoria e o consórcio seguem em guerra fria e não se pronunciam sobre o tema.
Fonte: Extra Globo

