A saída do meio-campista Gabriel do Bahia para o Flamengo ainda dá o que falar, ao menos extracampo. Nesta terça, três dias após anúncio de investigação por parte do Ministério Público Federal, a assessoria do presidente afastado Marcelo Guimarães Filho emitiu uma nota oficial, buscando esclarecer o caso.
A investigação irá apurar possíveis irregularidades cometidas na gestão do ex-presidente Marcelo Guimarães Filho, destituído do cargo por uma intervenção judicial. O inquérito instaurado será conduzido pelo procurador José Alfredo Paula Silva e tem como objetivo apurar se houve sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e outros crimes fiscais cometidos na venda do jogador, a mais lucrativa da administração anterior do clube.
Em nota enviada à imprensa, Guimarães Filho diz que a negociação ocorreu dentro das leis fiscais e que não há irregularidades. Segundo o ex-presidente, a venda de 50% dos direitos econômicos do meia para o clube carioca por 2,2 milhões de euros – equivalente a R$ 5.135.300 – foi dividida em uma parcela de 500 mil euros e mais quatro de 400 mil euros, com a primeira com data de vencimento em 11 de janeiro deste ano. Em fevereiro o clube antecipou algumas parcelas do pagamento, que estaria previsto para ser finalizado apenas em abril de 2014. Segundo o ex-presidente, tudo está registrado em documentos do clube.
“A diretoria anterior do Bahia antecipou o restante do valor que teria a receber, com o abatimento de juros praticado no mercado financeiro. Esta negociação está devidamente registrada nos documentos financeiros do clube, inclusive com extratos, comprovantes bancários e contratos com o Flamengo e com o Banco Polo Capital. Toda esta documentação está disponível na sede administrativa do Bahia e a empresa de auditoria Perfomance tem acesso livre a ela”, diz o documento.
Além da nota, a assessoria do presidente destituído anexou imagens do contrato e extratos, com data de conferência de 26 de agosto, de uma conta do clube no banco Bradesco, nos quais haveria a comprovação dos pagamentos. A diretoria destituída ainda declarou que coloca-se à disposição para esclarecimentos junto ao Ministério Público, caso lhes seja solicitados.
O Flamengo também afirma que todo o valor já foi pago pelo jogador, mas a auditoria feita pela empresa Performance, que desde julho deste ano investiga as contas do Bahia a serviço da intervenção, ainda não se pronunciou sobre o caso. Segundo o interventor Carlos Rátis, em entrevista concedida ao Terra, só será possível fazer qualquer análise final sobre a situação financeira do clube quando a Performance publicar o relatório da auditoria.
A auditoria foi contratada obedecendo despacho do juiz Paulo Albiani como parte das ações da intervenção. O magistrado determinou que as contas do Bahia passassem por análise de empresa profissional. Na última sexta, em nova decisão, Albiani determinou que o relatório final da auditoria seja anexado à investigação do MPF antes do dia 9 de setembro, quando será finalizada a intervenção, com o ato de posse do novo presidente do Bahia.
Fonte: Terra

