Após a entrevista do Procurador-Regional Agostinho do Nascimento Netto, o Fluminense também se pronunciou ao Globo Esporte em uma entrevista com o Diretor Executivo Jackson Vasconcelos, onde o dirigente afirma que a Procuradoria beneficiou o Flamengo e se recusa a fazer acordo com o Fluminense.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista com o diretor tricolor.
Impressão da entrevista com o procurador
– Quase tudo que está ali não é verdade. A gente tem documentos que comprovam. O único ponto real é a questão de o Fluminense ter sido excluído (da Timemania) junto com o Botafogo. O que não modifica a nossa linha de argumentação. A exclusão foi feita para justificar a penhora do valor do Wellington Nem. No mais, quando diz que os documentos enviados pelo Flu foram por exigência, não foram. Temos recibos da Procuradoria, trocas de emails, que comprovam que encaminhamos uma vasta documentação muito antes da exigência judicial, e nas visitas que o presidente (Peter Siemsen) fez à Procuradoria.
Contrato com a Unimed
– O Fluminense apresentou, sim, e tem a comprovação formal disso. No momento da primeira penhora, das cotas da Globo, o Fluminense procurou a Procuradoria, o Peter foi pessoalmente e começou o ciclo de negociações. Fizeram uma série de exigências. Na primeira reunião, o Peter colocou uma proposta formal de acordo, disponibilizando todos os contratos. O contrato com a Unimed foi o primeiro logo a ser entregue. Quase nada do que ele diz ali é verdade.
Fla teve tratamento diferenciado?
– Houve (tratamento diferenciado). O motivo, se você consultar dez pessoas, serão 11 opiniões diferentes. É difícil de entender o que houve ali. O Fluminense propôs um acordo, devendo muito menos, e vinha pagando os impostos na gestão do Peter, tendo um valor menor a pagar. Concordou com a Receita Federal em pagar parcelas maiores que as do Flamengo (R$ 1,127 milhão mensais). A Receita negou. O que o procurador disse na última reunião é que discordava do fato de o Fluminense ter feito discussão judicial. Disse que houve interferência politica no processo. Os motivos não são consistentes. Por que surgiu a questão do Flamengo? Ao contrário do que ele disse, o presidente do Fluminense viu em cima da mesa dele uma bandeira do Flamengo. Ele disse que era flamenguista. Há mil conjecturas a fazer, mas quando se olham os papéis, os processos, você fica estarrecido. O Flamengo, numa cronologia recorde, resolve tudo, tira a CND e assina contrato com a Caixa.
Atraso na Timemania
– O Fluminense estava sendo penhorado na receita da Globo. O Fluminense disse que teria de optar entre pagar salário ou imposto. Para honrar os salários, foi à Justiça. Foi o que irritou ele (procurador), já que o Fluminense conseguiu uma decisão judicial para levantar uma parte da penhora. No processo de acordo, a Receita conseguiu cassar a liminar, obrigando o Fluminense a devolver com multa. O Fluminense tinha a prerrogativa de recorrer, porque tinha pago os salários. Como iria fazer com o dinheiro? Tínhamos chances de ganhar o recurso. Mas a Receita colocou como condição prévia a devolução, e fizemos isso. Devolvemos essa grana, levantamos um empréstimo. Naquele momento deixamos de pagar a parcela da Timemania, e a Receita Federal tinha o conhecimento. Não foi uma coisa “ah, nós atrasamos”. Estava no processo de acordo.
Reação de Peter
– Quando o Flamengo conseguiu o acordo, nossa expectativa ficou maior ainda. Se fazem com valor menor das parcelas, por que não conosco? Apresentamos à Receita e temos os documentos que, como fonte extraordinária, teríamos negociações de jogadores. Terminando a Libertadores, faríamos o que fizemos, que era negociar para pagar impostos e parcelas da Timemania. Negociamos o Wellington Nem para pagar isso, mas bloquearam o dinheiro com a penhora e nossa possibilidade de pagar. A Procuradoria disse que precisava fazer a penhora porque o Fluminense estava na iminência de sair da Timemania. Como na iminência? Aí ela aperta um botão, exclui o Fluminense, volta para o juiz e diz: “Já foram excluídos”. Nitidamente, há uma decisão deliberada em prejudicar. Foi isso que o Peter chamou de sacanagem, ficou indignado. Empurra um ano e tanto numa negociação e inviabiliza depois.
Próximo passo
– O próximo passo é judicial. Temos dois caminhos a desenvolver. A gente vai discutir o procedimento da Receita, de engasgar o Fluminense. O clube está sem capacidade de sobreviver com o peso dessas penhoras. Na outra linha, vamos comprovar que houve má-fé da Receita, do procurador em relação a isso. Intencionalmente fizeram o que fizeram. Estamos há três dias em reuniões com advogados, o Peter também é muito bom nisso, definindo a estratégia.
Esperança
– Existe um recurso administrativo em Brasilia contra a decisão do Rio. Está na mesa da procuradora geral em Brasilia. Estamos recorrendo à Advocacia Geral da União também. Mostrando claramente que a exclusão da Timemania foi arbitrária e ilegal, pedindo a inclusão. Se eles derem a inclusão, cai por terra o argumento da Receita para a penhora dos direitos do Wellington Nem. Aí se a gente consegue, encaminha no processo e derruba a decisão do juiz.
Protesto da torcida
– Chegou uma solicitação dos funcionários para participar. Fui contra. É uma ação voluntária dos torcedores, o clube entende como ato de solidariedade. Não estamos participando ativamente do movimento. É justo, porque é muito clara a decisão unilateral contra o Fluminense. A Procuradoria tomou uma decisão que prejudica o Fluminense.
Fonte: GE

