A confusão na porta do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, antes do jogo entre Flamengo e São Paulo, em que integrantes dos paulistas da Torcida Independente agrediram um integrante da organizada Raça Rubro-Negra, reabriu a discussão sobre a como lidar com esses grupos na capital, que, até pouco tempo atrás, tinha pouca ou nenhuma tradição em receber jogos de grande porte.
A polêmica ação da Polícia Militar, que não fez qualquer intervenção em um primeiro momento da agressão, também causou preocupação não apenas no torcedor comum, mas até nas próprias organizadas. Há uma razão clara para isso: no sábado e no domingo, pela primeira vez desde que foi inaugurado, o Mané Garrincha vai receber uma “rodada dupla”, com quatro equipes grandes do país e, claro, suas torcidas: Flamengo x Grêmio, às 18h30 do sábado, e Vasco x Corinthians, às 16h do domingo.
Alvo de temor do torcedor comum, as organizadas também temem aquilo que classificam como falta de preparo do policiamento no Distrito Federal. Líderes de três organizadas ouvidas pelo Correio criticaram a ação da Polícia Militar para conter a briga e socorrer André Eliton Ferreira dos Santos.
Daniel de Lima, líder da torcida Raça Rubro-Negra em Brasília e amigo de André, relata que houve confronto também no jogo do Flamengo contra o Atlético-MG, na semana passada, mas que a briga não teve repercussão porque não deixou feridos graves nem foi presenciada por câmeras de televisão, como no caso do jogo do último domingo.
Na partida de Vasco e Flamengo, em 14 de julho, a equipe do Correio presenciou uma confusão entre a torcida vascaína e a organizada Mancha Verde do Palmeiras, que acompanhava o jogo por ser considerada, justamente, torcida-irmã de um dos grupos de torcedores do Vasco. Na ocasião, a cavalaria da PM interveio e dispersou a briga.
Presidente da Dragões da Real, uma das torcidas organizadas do São Paulo, André Azevedo coloca em dúvida a experiência do policiamento local para lidar com esse tipo de público. Ele lembra a passagem anterior do clube tricolor pela cidade, em 2008, quando o time venceu o Goiás pela final do Campeonato Brasileiro. Na época, um torcedor são-paulino morreu baleado, após ser atingido na cabeça em conflito da torcida com policiais (Leia Memória). “Claro que as torcidas têm sua parcela de culpa, mas é óbvio que, da forma como as coisas estão sendo organizadas, está errado”, avalia.
Fonte: Super Esportes

