Quando a fase é ruim, meu amigo, tudo acontece ao mesmo tempo. Veja dois exemplos da última rodada do Campeonato Brasileiro. Pênalti para o São Paulo e pênalti para o Corinthians, ambos inexistentes no final da partida. Resultado: o Timão fez três pontos e o Tricolor saiu de cabeça baixa mais uma vez. Você pode dizer que Jadson cobrou mal, fraco, não tomou distância para bater e que, do outro lado, Guerreiro encheu o pé, com força, cruzado. Tudo certo, avaliações corretas.
Mas pense na diferença de confiança de cada jogador. Guerreiro faz parte de um elenco vitorioso, em plena harmonia. O atacante peruano foi bater o pênalti pensando na briga pela titularidade. No Corinthians, as brigas são por vaga no time titular. Com elenco farto, Tite trabalha as boas peças que tem. A força e a garra na cobrança são de alguém que quer provar que merece a posição.
Do lado Tricolor, imagine como estava a cabeça do camisa 10. O time não vencia havia 11 rodadas, amargava a penúltima posição na tabela, não conseguia fazer gols e o batedor oficial, Rogério Ceni, tinha errado as duas últimas cobranças. Faltavam poucos minutos para terminar o jogo e o suplício tricolor. Jádson não podia errar. Errou claro.
E o atacante Aloísio? Parece que está com problemas nas mãos. Meteu a mãozona na bola contra a Portuguesa. Quase anulou o gol contra o Furacão, por conta de uma posição de impedimento, e tascou a mão na bola na cabeçada de Rodrigo Caio, em gol anulado contra o Flamengo. Deveria jogar com a mão amarrada ou mudar para outro esporte, vôlei, basquete ou handebol.
O São Paulo precisa de uma vitória, urgente! E de um psicólogo. Enquanto a zica não tomar outro rumo, será difícil tirar o peso das costas de qualquer jogador do elenco. Ninguém consegue trabalhar com tranquilidade quando se tem tanta pressão nos ombros. Seja jogador, advogado, médico…
Uma solução seria levar o grupo todo para fazer a caminhada de Santiago de Compostela – bom para refletir e renovar a autoestima – ou encaminhar os jogadores para algum spa e retiro espiritual. Limpar a mente. Lamentavelmente, não há tempo hábil para isso. Então, o jeito é abastecer a nave durante o voo e, no caso do São Paulo, isso só será possível com vitórias.
O que o São Paulo não pode é queimar revelações da base. O Corinthians, quando estava em crise, queimou bons jogadores, casos de Lulinha e Jô. Garotos que foram lançados na fogueira e, como não resolveram, claro, caíram em desgraça junto à torcida. Lulinha já rodou um mundo de clubes e Jô teve que girar pela Europa, depois voltar ao Brasil, até conseguir ser tratado como grande jogador no Galo. No São Paulo do divã, alguns jovens podem render no futuro. É preciso ter paciência. Gosto do Rodrigo Caio (melhor passador do São Paulo), Lucas Evangelista… Acho que já queimaram o Admilson, que fez bom jogo contra o Flamengo, assim como se livraram do Casemiro, titular em algumas ocasiões no Real Madrid. Para o Real, Casemiro serve.
ALGUMAS NOTAS
* Vergonhosos os pênaltis dados para São Paulo e Corinthians. Como o São Paulo perdeu a cobrança e o erro não alterou o placar, vou ficar no Corinthians. O erro do árbitro garantiu três pontos ao Timão e derrubou o Coritiba para fora do G4. O absurdo pênalti mudou o topo da tabela. Mas há quem diga que o Coxa foi ajudado contra a Portuguesa… Enfim, como erram as arbitragens.
* Uma pergunta ao zagueiro Wallace, do Flamengo, que não perdeu nem ganhou do São Paulo: Como foi empatar com bêbado?
* Adoro ver o Seedorf no Botafogo e acho muito legal a liderança que ele exerce no alvinegro, mas não foi legal o tapa que ele deu em Gilberto no primeiro tempo, contra a Portuguesa. Imagina se fosse outro que desse o tapa…
* De Pato pra Ganso, aves caras que não voam tão alto. A alvinegra parece não ligar pra nada, tudo está bom. A do Tricolor, fez bom jogo contra o Flamengo. Claro, seguem devendo.
Fonte: Blog do Denis Gavazzi

