De um lado, um Flamengo marcado por sucessivas crises extracampo e a debandada dos ídolos Adriano, Vagner Love e Bruno, preso. Do outro, um Botafogo campeão carioca, com Joel Santana prestigiado, mas sem a mesma força de antes da Copa do Mundo. Em julho de 2010, o clássico era jogado pela última vez no Maracanã antes do fechamento para obras. E o enredo foi semelhante ao de hoje, com o Alvinegro favorito. Mas naquele 14 de julho, o jovem Paulo Sérgio estava iluminado, e saiu do banco para dar a vitória aos 15 mil torcedores do Flamengo no Maracanã.
— No Maracanã é diferente. Os dois time estão bem, o Botafogo vive um bom momento, o Flamengo está melhorando, tem tudo para ser um clássico equilibrado como tem sido nos últimos anos — afirmou o técnico Joel Santana, que comandava o Botafogo naquele partida em que Paulo Sérgio estragou seus planos. aos 25 minutos do segundo tempo.
— A gente não estava vindo de bons resultados, a pressão estava grande. Conversamos bastante para esquecer o caso Bruno, era um grande companheiro, mas tinha que ficar de lado. Muita gente estava cabisbaixo, o clima era pesado, a desconfiança era total. Ali só os jogadores estavam acreditando. Para muita gente a derrota era certa — contou o jogador, que já se desligou do Flamengo, onde ficou por 14 anos, e hoje atua pelo Paraná.
Na ocasião, o atacante sequer treinava entre os reservas, e foi alçado ao time pelo técnico Rogério Lourenço, que assumiu o time após passar pela base. Para ele, a vitória foi boa para a torcida, que estava sem confiança com a crise sem fim.
— Saímos da Libertadores de cabeça erguida, mas quando teve as situações extracampo só se falava nisso — lembra Rogério. — A gente via o flamenguista com a autoestima baixa, jogadores e torcida. Éramos ofendidos por torcedores, e a única forma de responder era jogando bem. Tinha muito essa vontade de superar. O Botafogo era melhor, mas a torcida do Flamengo foi diferencial — lembra o técnico, hoje sem emprego.
Fonte: Extra Globo

