Há pouco mais de um mês à frente do Rubro-Negro, Mano dirigiu o time em cinco jogos oficiais, com quatro vitórias e um empate. Neste domingo, ele comanda o time contra o Inter, às 16h, em Caxias do Sul, pela oitava rodada do Brasileirão. Com contrato até o fim de 2014, o treinador acredita que poderá ajudar o clube da Gávea a voltar a viver grandes momentos, assim como contribuiu na passagem pelo Corinthians, atual campeão mundial, e no Grêmio, tirado por ele da Série B. O técnico tem na torcida rubro-negra seu maior trunfo.
O que mais te surpreendeu positivamente e negativamente no Flamengo?
Positivamente, sem dúvida nenhuma, foi o torcedor rubro-negro. Mesmo no momento de dificuldade, a confiança que ele passou a ter no trabalho é muito grande. Onde a gente encontra um flamenguista ele passa muito isso para a gente. Tem passado para os jogadores também. No amistoso contra o São Paulo deu para sentir isso. A cada momento que a gente conseguiu reproduzir um pouco daquilo que ele quer ver em campo, a arquibancada já vinha junto. Imagina quando nós conseguirmos fazer realmente aquilo que a gente quer fazer? E negativamente a gente trata internamente. Tem tanta gente que fala mal do futebol, da gente, do clube que a gente está dirigindo… Não vamos nós falar abertamente.
Centro de treinamento: precisa melhorar?
Precisa acabar de ser construído. Porque foi iniciado, a obra está parada desde setembro do ano passado pelas informações que eu tenho, é uma preocupação da diretoria. E deve ser mesmo uma preocupação. Porque é ótimo ir para o trabalho todo dia e sentir um ambiente agradável, de qualidade, para fazer tudo o que você precisa fazer. E hoje a gente não tem isso ainda.
E a base do Flamengo? Você é um treinador que gosta de trabalhar muito com a base. Já anda acompanhando o trabalho do Flamengo?
Nessas primeiras semanas, eu me detive quase que exclusivamente ao profissional. Nós temos um grupo bastante grande de jogadores que tenho que conhecer na íntegra para saber exatamente o quanto posso contar com cada um deles. Sei que o trabalho da base também está sendo reestruturado, conheço alguns profissionais que trabalham no Flamengo há bastante tempo e certamente vamos manter uma relação bastante estreita. Eu acredito muito nesse trabalho integrado e acho que a gente precisa construir uma filosofia para o Flamengo, que não temos na maioria dos clubes, para que saindo ou entrando profissionais novos, o Flamengo siga sua linha de formação, e a sua linha como filosofia de jogo na equipe principal. Essa filosofia não pode ser mudada radicalmente com a chegada ou a saída de um profissional. Acho muito perigoso isso que nós temos no futebol brasileiro. E temos trabalhado há bastante tempo na discussão disso. Me sinto muito feliz de trabalhar aqui no Rio, onde a gente tem os profissionais que têm dirigido os principais clubes. Abel Braga no Fluminense, Autuori no Vasco (ainda não havia deixado o clube para ir ao São Paulo; Dorival é o novo técnico) e Oswaldo no Botafogo. Penso que a gente pode, começando por aqui, discutir isso de forma mais ampla. Porque sem dúvida é um caminho que o futebol brasileiro precisa tomar.
Você acha que os treinadores devem se adaptar ao planejamento técnico do clube, e não o inverso?
É, hoje nós estamos muito voltados pra isso. A filosofia de jogo, a maneira como vai se comportar está dependendo muito do técnico que você contrata para executar essa filosofia. Acho muito perigoso, porque trocamos muito de técnico. E isso é péssimo para os jogadores. Você vem fazendo um trabalho por três meses, se preparando para jogar de uma maneira, executar um tipo de futebol. Aí você muda o técnico, e vem outro com uma filosofia completamente diferente. Você perde mais dois meses tentando implantar essa nova filosofia. Então, se perde muito tempo nessa evolução que a gente precisa ter. Como ainda trocamos muito os grupos de jogadores, são raros os que permanecem por períodos mais longos, nós nunca chegamos a trabalhar determinadas situações de jogo porque nós estamos sempre em transição, sempre buscando uma nova maneira de jogar. E isso é muito prejudicial para o futebol.
A diretoria optou por jogar alguns jogos que o Flamengo tem mando de campo fora de casa, em outros estados. Você é a favor disso? Porque por um lado tem a renda, que é sempre boa. Mas tem também o lado físico dos jogadores, que pode comprometer. Acha positivo?
Acho positivo jogar com estádio lotado, sem dúvida nenhuma. O futebol foi feito para se jogar com torcedor e, sempre que ele está presente, é muito mais gostoso jogar futebol. Temos a questão financeira, importante para o clube nesse momento, ela vai ajudar a resolver outros problemas. Temos que ser inteligentes e nos adaptar à realidade momentânea. O que falo sobre os jogadores também vale: o que é combinado não é caro. Essa é a realidade do Flamengo, já sabíamos que seria assim. E estamos nos planejando em termos de treinamento para minimizar esse desgaste do deslocamento.
Fonte: GE