No anúncio das escalações, duas mudanças inesperadas de Mano Menezes, mesmo sem alterar o 4-3-3/4-1-4-1 rubro-negro: o jovem zagueiro Samir improvisado na lateral-esquerda, com atribuições exclusivamente defensivas. Inclusive nas jogadas aéreas, ponto forte do adversário.
Na frente, a entrada de Fernando, outro garoto, para acelerar e dar profundidade aos contragolpes no setor. Velocidade para cima de Ceará, substituto de Mayke, que não conta com o auxílio de Everton Ribeiro na recomposição.
Em tese, as modificações, embora surpreendentes, eram coerentes pelo contexto. Um defende, outro ataca. O problema era posicionar André Santos entre eles, exercendo dupla função. Enquanto teve fôlego, o lateral foi meia e ajudou a organizar as jogadas. Mas combater não é o seu forte.
O Cruzeiro usou bem os espaços à direita. A entrada de Willian no lugar de Luan deu mais mobilidade ao quarteto ofensivo do 4-2-3-1 armado por Marcelo Oliveira. Para equilibrar, Borges na vaga de Vinicius Araújo dá o ponto de referência, a presença de área e o trabalho de pivô para quem chega de trás.
Ceará ganhou de Samir e cruzou. Três cruzeirenses na área do Fla. Ricardo Goulart foi mais rápido que o lento González, Felipe salvou mas Willian completou. Três minutos depois de Marcelo Moreno acertar a trave de Fabio no primeiro contragolpe rubro-negro. A primeira falha de Dedé.
Impressionante a queda de produção do zagueiro. Inseguro e hesitante, erra com muito mais frequência os botes antes perfeitos no Vasco, especialmente em 2011. Agora precisa da cobertura de Bruno Rodrigo ou do volante Nilton para não comprometer a retaguarda.
Jogo aberto no segundo tempo, com Moreno dando trabalho a Fabio e Bruno Rodrigo cabeceando na trave. Nova incursão pela direita, com centro de Willian. Dois minutos depois, o golpe que parecia letal: Everton Ribeiro arrancou e tabelou com Ricardo Goulart. Na área, deu um chapéu em Luiz Antonio – que não é lateral, não sabe fazer a cobertura por dentro e já chegou vendido no lance – e marcou um golaço. Certamente o mais bonito no novo Mineirão.
Mano mexeu no Flamengo que parecia descoordenado e exposto até a uma goleada. Trocou Gabriel, inoperante à direita, por Carlos Eduardo. Marcelo Oliveira respondeu tirando Willian e colocando o estreante Julio Baptista. Substituição que se mostraria infeliz no decorrer da segunda etapa.
Mas não foi responsável pelo gol de Carlos Eduardo. Dedé novamente falhou no combate a Moreno, a bola bateu na trave e sobrou limpa para o meia. A grande surpresa para o Cruzeiro é ter o zagueiro contratado com status de estrela como o ponto fraco de um time forte. Que perdeu volume de jogo com Vinicius Araujo e Luan substituindo Borges e Ricardo Goulart. Lento e se readaptando ao futebol brasileiro, Baptista matou a intensidade da equipe celeste.
Percebendo o momento favorável, Mano tirou os dois meninos que entraram numa “gelada” e não corresponderam. Com João Paulo e Paulinho reorganizando o lado esquerdo, teve a chance do empate nos pés do exausto André Santos, que aproveitou outro lance confuso da defesa cruzeirense, com participação de Dedé, porém não teve pernas para chegar antes de Fabio. Elias também produziu pouco e perdeu o duelo contra Souza no meio-campo.
O Cruzeiro foi e é mais time. Em 53% de posse de bola, teve 16 finalizações contra dez – nove a cinco na direção da meta. Pelo menos o dobro de oportunidades claras. Mas o gol sofrido em casa, o tal “qualificado”, complica a missão da volta na Copa do Brasil. O Flamengo está vivo e, com a força da torcida e um pouco mais de contundência no ataque, pode se impor.
No confronto que segue aberto, que surpresas teremos no Maracanã? A conferir.
Fonte: Olho Tático


