Após a Procuradoria Geral da Fazenda repudiar a forma como o presidente do Fluminense Peter Siemsen, se dirigiu ao órgão no último sábado, agora foi a vez do Procurador-Regional, Agostinho do Nascimento Netto, advogado público investido de competência para cobrar judicialmente a dívida ativa tributária, se pronunciar.
Ameaçado por alguns tricolores, o procurador registrou queixa na superintendência da Polícia Federal e se mostrou perplexo com o rumo tomado pelas negociações com a diretoria tricolor.
– Era algo para ser tratado em âmbito de advogados, contadores, mas foi levado para um campo o qual tenho a sensação de que não foi a melhor opção. A certeza disso é que as pessoas estão sendo ameaçadas – disse.
Toda confusão começou quando o Fluminense tentou um com a Procuradoria para quitar sua dívida e a mesma foi negada, causando a penhorada a premiação do título do Brasileiro em 2012, cotas de TV e o dinheiro referente às vendas de Wellington Nem e Thiago Neves.
Em seu discurso, o mandatário tricolor deu a entender que houve benevolência por parte da Procuradoria com o Flamengo e rigor excessivo em relação ao Tricolor. Em março, o clube rubro-negro conseguiu parcelar sua dívida, algo que o Flu tenta, mas não consegue. O procurador negou que seja torcedor do Flamengo e que tenha qualquer participação no dia a dia do clube da Gávea.
– Não tenho relação com nenhum clube. Nunca fui sócio do Flamengo e não acompanho futebol. A última vez que fui sócio de algum clube eu era um menino e fazia aula de natação – disse Agostinho Netto.
O procurador teve seu nome, telefone e endereço de casa e do trabalho divulgados por torcedores do Fluminense. Passou a receber ameaças, que chegaram também a seus familiares. O fato o levou a procurar a Polícia Federal.
– Já passei por todo tipo de situação, mas nessa o que realmente me preocupa é que a questão foi levada para o campo pessoal. As pessoas estão fazendo ameaças a colegas, familiares. O que fiz foi procurar a Policia Federal. Fui à superintendência do Rio de Janeiro e já fizemos o registro. Serão abertos diversos inquéritos. Muitas ligações já foram identificadas, já que as pessoas deixam seus números. – ressaltou, completando:
– Não entendo de futebol, mas um dirigente do mais alto gabarito, um advogado renomado, dar uma entrevista com aquele conteúdo… qualquer pessoa avalia aquilo como algo que acendeu a pólvora. Acho muito grave, preocupante, e lamento. As discussões nunca pararam, tenho dúvidas se foi um bom caminho nesse aspecto. – encerrou.
Fonte: GE

