“Já disseram que você é a cara do Dwight Howard?” A pergunta já se tornou um carma na vida de Jerome Meyinsse, mas é inevitável fazê-la ao ficar frente a frente com o novo reforço do Flamengo para a temporada 2013/2014 do NBB. Encabulado, o pivô de 2,06m sorri espontaneamente com a comparação, abaixa a cabeça demonstrando certa timidez, mas acaba entregando de bandeja, sem se incomodar, que perdeu a conta das inúmeras vezes que já foi abordado nas ruas por estranhos pela semelhança com o superastro da NBA, que recentemente trocou o Los Angeles Lakers pelo Houston Rockets.
– Já ouvi isso algumas vezes, e, para falar a verdade, até acho que somos parecidos. Mas isso não me incomoda, até porque nem posso reclamar de ser comparado ao Dwight Howard, né? – brincou Jerome Meyinsse.
As coincidências, porém, não param por aí. O pivô rubro-negro se diverte ao revelar que não é a única “celebridade” a andar pelas ruas de Charlottesville, sem ser notado. Seu colega na Universidade de Virgínia, Meikle Paschal Jr. chama ainda mais atenção por sua semelhança com Kobe Bryant. A única diferença é que, ao contrário dos ex-parceiros dos Lakers, que andaram às turras na última temporada da NBA, Jerome e Meikle são unha e carne quando o jogador do Flamengo está de férias nos Estados Unidos.
– Toda vez que saímos juntos as pessoas nos param nas ruas para dizer que somos igualzinhos à dupla da NBA (risos) – conta o novo reforço rubro-negro.
Semelhanças físicas à parte, o pivô contratado para substituir Caio Torres, MVP da final da última edição do NBB e que trocou o Rio de Janeiro por São José dos Campos (SP) recentemente, afirma que sua intenção é chamar a atenção do torcedor do Flamengo apenas dentro de quadra.
Embora suas médias de 12,9 pontos e 5,3 rebotes nos 43 jogos disputados pelo Regatas Corrientes (ARG), em 2012/2013, estejam muito aquém das registradas por Dwight Howard na sua apagada temporada pelo Los Angeles Lakers, Jerome Meyinsse espera repetir no Rio de Janeiro a doce rotina de títulos que marcou sua vitoriosa passagem pela Argentina.
– Quando soube do interesse do Flamengo através do meu agente, conversei com algumas pessoas, entre eles o Bruno Zanotti, e fiquei entusiasmado com a possibilidade de defender o atual campeão brasileiro. Perdi para eles na Liga das Américas e sei bem a força da equipe. Tive um rápido contato com o Olivinha e o Marcelinho na musculação, e estou ansioso para começar a treinar com o resto do elenco – disse o pivô, que escolheu a Lagoa para morar.
Formado em economia pela Universidade de Virgínia, em 2010, Jerome chegou a participar do Draft do mesmo ano, mas não foi escolhido e acabou vendo ruir seu sonho de jogar profissionalmente nos Estados Unidos. Com apenas 24 anos, o pivô prefere dar um passo de cada vez na carreira, mas não acha impossível realizar seu desejo no futuro.
– Por que não? Quem sabe um dia – prevê.
Por enquanto, seu pensamento está cem por cento no Brasil. Se o português ainda é uma barreira a ser superada, a beleza do Rio de Janeiro e, principalmente, das mulheres cariocas já deixaram o pivô de 2,06m muito mais à vontade na Cidade Maravilhosa. Agora, só falta a bola subir para esse solteiro nascido na pequena Baton Rouge, capital do estado da Louisiana, compreender o tamanho da responsabilidade de defender um clube como o Flamengo.
– As pessoas já me falaram da importância do Flamengo no Brasil. Mas reconheço que não sou um grande fã de futebol e jamais assisti a uma partida ao vivo. Além do basquete, meu esporte preferido é o futebol americano – afirmou o torcedor do New Orleans Saints, time profissional da liga americana de futebol, a NFL, situado em Lousiana.
Músico nas horas vagas
O dom pelo esporte não é o único que corre nas veias de Jerome. Trompetista na adolescência, o jogador do Flamengo tocou na igreja e em algumas bandas antes de entrar na faculdade e ter que optar entre a música e o esporte. O basquete ganhou a queda de braço na ocasião, mas ele garante que a paixão pela música será recompensada quando pendurar as munhequeiras.
– Toquei trompete durante sete anos, mas tive que parar por falta de tempo. Amo música, e gosto de quase tudo. Rock, Jazz, Reggae, Hip Hop….O Tango não me empolgou quando morei na Argentina, mas já ouvi muito falar de samba. Tenho certeza que com o tempo vou aprender a admirar a música brasileira. Quando me aposentar, quem sabe não volto a tocar trompete profissionalmente – sonha o pivô rubro-negro.
Fonte: GE

