Enquanto um se preocupa que seus torcedores estão indo ao estádio de táxi porque falta estacionamento, o outro tem a carta na manga junto ao consórcio, que sabe do seu potencial de audiência. Para entrar na maior arena brasileira, o clube pede que seus cartões de programa de relacionamento com o torcedor seja válido como ingresso. O rival, por ora, ainda não implementou neste sentido o seu programa, mas quer se sentir mais justiçado no negócio, ter renda maior, até pelos problemas financeiros que enfrenta.
A Maracanã S/A, que venceu a licitação para administrar e lucrar com a administração do estádio pelos próximos 35 anos, avalia uma forma de atender aos dois perfis de torcida completamente distintos no Rio de Janeiro e que não possuem estádio próprio: Flamengo e Fluminense.
Por mais que o Botafogo esteja sem arena momentaneamente com a reforma do Estádio do Engenhão (até o início de 2015, pelo menos), e tenha fechado contrato para este período “sem casa própria”, são com estes dois clubes que o o consórcio terá os maiores desafios.
O governador Sérgio Cabral tem sido o intermediador após se reunir com os representantes dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro, também com a participação do Vasco, que planeja mandar algumas partidas, mesmo com São Januário viável. O encontro foi na última segunda-feira.
O papel de Cabral é chave não apenas para fazer este “meio de campo”, mas também pelo fato de que o governador, que já avisou que o Estado não retomará de forma alguma a gestão do Maracanã, recuou diante de sua queda de popularidade – é o pior avaliado em todo o País.
Diante disso, e da pressão das ruas, Cabral cedeu e as áreas que serviriam de estacionamento, e centros comerciais, com alto potencial de lucro, diga-se, foram preservadas: o Parque Aquático Julio Delamare, o Centro de Atletismo Célio de Barros, a Escola Municipal Friedenreich e até a Aldeia Maracanã, no terreno do antigo Museu do Índio.
“Você tem outras áreas no entorno, e o governo do Estado e a concessionária vão achar uma solução nesse sentido”, explicou o presidente do Fluminense, Peter Siemsen, após o encontro. Uma solução seria a construção em áreas da Quinta da Boa Vista, próximo ao Maracanã, que poderia servir de alívio ao terreno da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), praticamente a única alternativa hoje para o torcedor parar o carro.
O governo do Rio, que ainda vê o consórcio como suspenso até que a construtora Oderbrech, líder da concessionária, apresente seu plano de soluções – a reportagem do Terra pediu posicionamento para a assessoria de imprensa da Maracanã S/A, e aguarda resposta para atualização desta informação. Também sobre as reivindicações rubro-negras.
“Fizemos nossa propostas, mas não posso entrar em detalhes pela imprensa”, reforçou o presidente do Flamengo, Antônio Bandeira de Mello. “Em linhas gerais, a questão passa por um rendimento maior. Todos sabem do momento difícil financeiro pelo qual o Flamengo passa”, concluiu.
Na semana passada, no jogo em que bateu o Cruzeiro por 1 a 0 e se classificou para as quartas de final da Copa do Brasil, o Flamengo, mesmo tendo colocado mais de 50 mil pessoas no estádio, levou para a Gávea pouco mais de R$ 700 mil de renda. Em contrapartida, o Fluminense não se preocupa com isso e comemora o fato de não ter despesas em seu contrato – o que o desonera do prejuízo de jogos deficitários – e se diz satisfeito em ter os pouco mais de 40 mil ingressos para vender nos setores atrás dos gols.
“Em quatro jogos, fizemos 50% da renda do ano passado”, disse o sorridente mandatário tricolor, Peter Siemsen. “O governador ligou para o o presidente do consórcio (João Borba) e me passou a impressão de que a conversa foi positiva e que podemos chegar a um acordo, mesmo que seja para algo provisório”, rebateu Bandeira de Mello, recuando da ofensiva da semana passada, quando o site oficial rubro-negro soltou nota oficial criticando veementemente o contrato com a Maracanã S/A.
Fonte: Terra

