Réver e Mozer, as duas últimas novidades na Gávea. Não tão assim.
O Flamengo é a casa de Mozer desde 1975. De 87 pra cá, o ídolo construiu outras moradias, ganhou novos lares.
Hospedou-se, a convite do Rei, no Japão; ergueu uma Muralha na França e fez de Lisboa o pedaço de Imperatriz, de Rio de Janeiro, de Brasil, longe de casa.
A casa sempre foi aqui. Não a cidade, nem o país; mas o Flamengo.
E estava tudo uma bagunça. Lençol na pia, tapete na estante, ralo sobre a mesa. Moradores e inquilinos sem saber o que fazer.
Faltava um legítimo proprietário para ensinar como aquele estranho e imenso imóvel, com paredes, chão e teto pintados de vermelho e preto, pode ser o lugar mais aconchegante do planeta.
Faltava um Mozer. E ele voltou.
Sem qualquer experiência como locatório, com conhecimento de sobra de Flamengo.
Chegou para fazer o que, até ontem, parecia impossível: Criar novos Mozeres naquela casa rubro-negra.
Entenda por Mozer alguém de alma flamenga, natureza grandiosa, espírito vencedor e de sublime técnica na prática de deixar a casa em ordem. A do Mozer original é a faxina. Como ninguém, sabe evitar que a sujeira se torne uma mancha e venha ser uma terceira cor em meio ao rubro-negro.
Entenda por Réver o mais novo aprendiz de Mozer.
Como o mestre, tem em sua especialidade a faxina, ainda que não tão apurada. Também é provido do espírito vencedor. Quanto ao resto, está aquém. Nada se aproxima à grandiosidade do Flamengo e, em 31 anos de vida, Réver nunca havia tido a oportunidade de despertar o lado mais nobre da alma humana.
No primeiro dia de trabalho, fez o que sabe fazer. Pegou a vassoura, o balde e, ao lado do outro recém-chegado, Rafael Vaz, impediu que qualquer gota de tinta azul fosse derramada sobre o vermelho e preto.
Achou pouco para um novato. Resolveu preparar o jantar.
Chamou a bola uma, duas, três vezes. Chamaria quantas fosse necessário, até que o balançar da rede transformasse a refeição em banquete. Assim foi.
Entrada, prato principal e sobremesa. Três pontos; milhões de brindes. Na mesa flamenga posta em Belo Horizonte, na autêntica casa rubro-negra, e nas inúmeras residências provisórias de seus proprietários.
Pela primeira vez, Réver sentiu o deleite de uma ponta de Mozer na alma.
Decidiu agradecer em carta escrita ao mestre. Sem título, nem cabeçalho. Apenas com remetente e destinatário.
De Réver; para Mozer.
Fonte: Nosso Flamengo
