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André Rocha: “Cruzeiro, justo campeão! Mas fraca final é novo alerta para o nosso futebol”

Matheus Brum
Matheus Brum
Publicação: 28/09/2017
7 Comentários
Atualização: 28/09/2017
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O Cruzeiro foi o time do melhor goleiro, nos 180 minutos e na disputa por pênaltis. O título da Copa do Brasil também premiou o trabalho mais longo e consolidado de Mano Menezes, mantido mesmo quando muito questionado no momento de baixa.

A campanha é inquestionável, por ter sido construída desde as fases iniciais e, principalmente, por ter eliminado na semifinal o Grêmio, único brasileiro sobrevivente na Libertadores e que (ainda) pratica o melhor futebol do país.

A disputa final, sim, é que deixou a desejar. Não só pela tensão característica das decisões e pelo muito que estava em jogo no confronto entre clubes que investiram tanto e não tinham uma conquista recente mais pesada para validar o esforço, na nossa mentalidade tão imediatista e que condiciona o trabalho correto ao resultado final.

Cruzeiro e Flamengo protagonizaram um típico jogo entre grandes no Brasil: práticas atualizadas no trabalho defensivo e ainda muito arcaicas e insipientes para justamente superar esse bloqueio com ocupação mais inteligente dos espaços.

Muita preocupação em compactar setores, estreitar o cerco na frente da área para evitar as infiltrações pelo centro ou nas diagonais, evitar superioridade numérica em todos os setores, especialmente pelos flancos. Muita pressão sobre o adversário que está com a bola no terço final do campo, onde nasce a jogada criativa para a finalização.

Por isso Reinaldo Rueda preferiu mandar Everton para o sacrifício, mesmo voltando de lesão. Ele e Berrío executaram a função de ida e volta nas pontas, apoiando os laterais Pará e Trauco. No meio, a proteção de Cuéllar e Willian Arão e Diego, mais uma vez, muito lento, prendendo demais a bola, atrasando as transições ofensivas e fazendo o time depender demais do trabalho de retenção de bola e pivô de Paolo Guerrero na frente.

Mano Menezes teve que conviver com lesões que o obrigaram a mexer na equipe. Primeiro Raniel, logo aos cinco minutos. O jovem atacante, escalado para atacar os espaços e acelerar para cima dos veteranos Rever e Juan, nitidamente somatizou tanta ansiedade e distendeu as duas coxas. Entrou De Arrascaeta, que mudou a dinâmica na frente sem a referência e o time ficou sem profundidade, especialmente à direita com Robinho, que é mais um ponta articulador e não tem o apoio de Ezequiel, que guarda mais o setor.

O meia saiu no intervalo, também por questões físicas, para a entrada de Rafinha, que foi ocupar o espaço à direita com mais intensidade e rapidez. Mas ainda sem aproveitar bem os contra-ataques. Seguiu assim pela esquerda quando Alisson sentiu e deu lugar a Elber.

No Mineirão, o time mandante não se preocupou em ter a posse e tomar a iniciativa. Controlava os espaços, negava brechas aos adversários, fechava o centro e induzia o oponente a abrir a jogada e forçar o cruzamento, mais simples de ser interceptado. Ainda mais contra um Flamengo novamente tendo a bola, mas sem saber bem o que fazer com ela.

No final, foram 53% de posse rubro-negra e 15 finalizações, quatro na direção da meta de Fabio. A mais difícil no final, em jogada pessoal de Guerrero, que cresceu quando Lucas Paquetá entrou na vaga de Everton. O jovem meia procurava o centro para articular com Diego e Arão e abria espaço para o peruano fazer sua jogada característica: receber na esquerda, cortar para dentro e bater para o gol. Sem o sacrifício pelo centro, sempre tendo que girar para servir ou tentar o chute.

O Cruzeiro viveu de uma ou outra incursão pela esquerda, com a movimentação de Arrascaeta indefinindo a marcação de Pará e a cobertura de Rever. Teve a grande chance na saída grotesca da meta de Alex Muralha que o camisa dez uruguaio não aproveitou na segunda etapa. Foram 13 conclusões, só uma no alvo.

Os números de jogadas finalizadas dão a impressão de um jogo bonito, até aberto, com ações bem elaboradas. Mas eis o ponto crucial no futebol jogado atualmente no Brasil: as finalizações acontecem, mas a marcação é tão próxima e intensa que as oportunidades cristalinas são raríssimas. Os chutes mascados, as cabeçadas em divididas. Poucas tabelas e triangulações com o passe diferente que surpreende. Ou a jogada combinada que começa de um lado e na inversão pega o rival em inferioridade numérica para buscar a linha de fundo e encontrar um companheiro livre.

Não acontece porque o futebol brasileiro, na sua pressão insana por resultados imediatos, obriga os treinadores a primeiro ”arrumar a cozinha”. E os conceitos mais modernos são uma sofisticação do ”fechar a casinha”. Na frente? Ou pressiona e tenta roubar a bola perto da meta adversária, ensaia a bola parada ou depende do lampejo dos mais talentosos. Se treina pouco o ataque. No máximo um campo reduzido, mas sem maiores orientações.

É pouco. Foi insuficiente em Belo Horizonte para definir o campeão nos 90 minutos. Na disputa por pênaltis, a Muralha, grande personagem da final por todo o contexto, foi no mínimo infeliz na ”estratégia” de pular sempre no canto direito. Piorou com a enorme competência do time celeste nas cobranças.


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O Flamengo tinha um elo fraco na meta e outro em Diego, coroado craque da competição, mas de atuações pífias na reta final. Sem confiança, cobrou mal e Fabio pegou. Quinto título cruzeirense, quarto vice do time carioca. Emoção e festa depois da cobrança de Thiago Neves que chegou a gerar uma pequena polêmica por um suposto segundo toque na bola no meia que escorregou. Nada ilegal.

Venceu o melhor, mas a bola jogada não foi para se guardar na memória. Mais uma vez. A fraca final é outro grito de alerta para o nosso jogo, que precisa fechar o ciclo e se modernizar também quando estiver com a bola. Começa a ficar urgente.

Fonte: Blog do André Rocha | Uol

Assuntos:final copa do brasil 2017opinião
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7 Comentários
  • Damon disse:
    28/09/2017 às 08:02

    Não vejo o Grêmio praticar esse futebol todo que falam. Penou pra chegar a semifinal da libertadores Não ganhou nada esse ano e enchem a bola deles como se fossem o Barcelona do Guardiola.

    Responder
    • Rubens disse:
      28/09/2017 às 13:12

      Concordo com você, não vejo o grêmio jogando essa bola toda que tão falando.

      Responder
  • Daniel Silva disse:
    28/09/2017 às 08:36

    porque o Cruzeiro foi justo campeão, porque se acovardou contra gremio e flamengo nos quatro jogos? por isso que a final foi o que foi, jogos feios, com um time retraqueiro e outro sem poder de criação, então para esse andré rocha o futebol feio venceu justamente!

    Responder
  • Rubro Negro de Verdade disse:
    28/09/2017 às 08:52

    Jogo truncado e fechado. Ontem os dois times abdicaram de jogar bola e se acovardaram.
    Que jogo ruim, mas é final né, ninguém quer se arriscar, apesar de que quando o Cruzeiro pôs o Rafinha, o jogo abriu mais, porém o Flamengo não mexeu e quando mexeu era tarde.
    SRN

    Responder
  • Renata Rodrigues disse:
    28/09/2017 às 09:01

    Parece q é um demérito do flamengo ter entrado nas oitavas….Brincadeira né! Esse time do cruzeiro merecia ser desclassificado contra a chapecoense, jogou mal as duas partidas q disputaram c eles. Time retranqueiro igual botafogo e corinthians, se isso é futebol bonito, estamos lascados.

    Responder
  • Deyvis Rocha disse:
    28/09/2017 às 09:51

    Afora os títulos estaduais, os últimos 20 anos têm sido de poucas conquistas: um brasileiro e duas Copas do Brasil, além de uma esquecível Copa Mercosul.
    Nas minhas contas:
    Anos 80: 6 títulos
    Anos 90: 3 títulos
    Anos 2000: 2 títulos
    Anos 2010: 1 títulos

    É pouco.

    Responder
  • Gustavo Leite disse:
    28/09/2017 às 13:44

    Não sei pq um time que ganhou o jogo sem dar um único chute certo no gol é melhor que o flamengo.

    Responder

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