Maurício Saraiva: “Ô, Jogo Chato”

Vendo pela televisão a primeira das finais de Flamengo x Cruzeiro, coloquei-me no lugar de um torcedor que esperasse emoção, bom futebol e gols. Gols, até houve, empate em 1×1. Os outros dois itens, não. Bem de verdade e sem enfeite, foi um jogo chatíssimo. Erros de passe por parte de quem queria ser propositivo, o Flamengo. Timidez patológica de quem espera o anfitrião errar, o Cruzeiro, que repetiu o que fizera na Arena na semifinal diante do Grêmio. No Mineirão, ainda com saldo qualificado, o Cruzeiro seria finalista nos pênaltis, o que não deixa de ser lotérico, uma vez que Marcelo Grohe pegou 2 pênaltis.

Neste contexto, é preciso também se colocar no lugar dos treinadores, exercício que fiz logo após estabelecer empatia com o torcedor. Mano Menezes e Reinaldo Rueda tinham suas razões para que suas equipes tivessem sido o que foram. Mano, por exemplo, queria transferir tudo para o segundo jogo. Terá De Arrascaeta em melhores condições, o uruguaio deve até começar a partida em Belo Horizonte. O Cruzeiro muda de turma com seu camisa 10, que volta de longa recuperação de lesão. Ontem, fez o gol aproveitando o prosaico rebote cedido pelo bom e jovem goleiro do Flamengo. Então, estrategicamente, dá para entender o Cruzeiro que se viu no Maracanã lotado. Romântico que sou, ainda creio que dava para ser mais ousado, jogar mais, marcar mais adiantado. Mano não entendeu assim, pelo jeito.


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Reinaldo Rueda viu o Flamengo que herdou de Zé Ricardo levando gol em todos os jogos e concluiu que não dava para ser assim. Prendeu mais os laterais, deixou menos espaços entre os setores. O time campeão da Libertadores do ano passado jogava bonito, era bom de ver. Rueda vai chegar lá com o Flamengo, tem material humano para isso. Por enquanto, preferiu ser pragmático. Teve ligação direta da zaga, faltou poder de fogo sem Guerrero, o que não vai faltar em 27 de setembro. Penso que poderia ter começado com Vinícius Júnior para ter drible, rompante, vitória pessoal. Seu time se ressentiu de mais agressividade. De qualquer forma, a decisão está aberta para o Mineirão. O Cruzeiro vai ter que fazer o que não lhe apaixona, propor o jogo. O Flamengo em reconstrução com seu técnico estrangeiro jogará no contra-ataque. Por mim, fecho acordo por um jogo melhor do que o primeiro da decisão. Já basta.

Fonte: Blog Vida Real | globoesporte.com

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