Anderson Alves: “Desvalorizar a pré-temporada cobra seu preço no segundo semestre”

“A maioria das pessoas não planeja fracassar, fracassa por não planejar” BECKLEY, John L .

 

Parece replay, mas temos que reclamar novamente da pré-temporada do Flamengo frente a um calendário inchado e desumano, mas talvez, só talvez, o planejamento de Abel dê um norte para esta etapa que é muito importante para desenvolver futebol e time para o ano todo. Olá, coleguinhas de Coluna do Flamengo. Hoje bateremos na tecla da pré-temporada e do calendário novamente, mas com um olhar mais frio e com o auxílio luxuoso de Mauro Cezar Pereira.

Antes de adentrar os meandros da coluna de Mauro, queria fazer uma lembrança das últimas três pré-temporadas. Para começar, a anterior já havia apontado a ineficácia logo em seu início quando os jogadores tiveram um período de 11 dias desde a reapresentação em média até começarem a jogar. Foi um fiasco! Se na temporada anterior (2017) se reclamou da vice colocação em dois campeonatos, em 2018 não conseguimos nem chegar aí. Fizemos a maior pontuação no campeonato brasileiro muito devido as atuações antes da copa com um Paquetá inspirado e um sistema muito arrumado. Era sabido que o Flamengo cairia fisicamente no segundo semestre, aliás é bem frequente.

2017 não foi muito diferente. Nos apresentamos no dia 12 e 16 dias depois estávamos em campo contra o poderoso Boavista. Talvez o time tenha se aproveitado do trabalho com o preparador colombiano Carlos Velasco que “arrancou o couro” dos jogadores em agosto, o que deu um gás para o restante da temporada. Mas havia consenso de que o time não se apresentava bem naquele segundo semestre.

2016 para quem não se lembra começou com a segunda passagem de Bandeira e ainda tinha Muricy no clube. Os jogadores se apresentaram no dia 6 e começaram a jogar no dia 27 na primeira liga. O pouco tempo de diferença das outras pré-temporadas aliado à pausa para a olimpíada fizeram o Flamengo mais inteiro fisicamente dos últimos tempos, produzindo o time que correu atrás do título até o final daquele ano. Magicamente, ajudou não ter outras competições a disputar ali, sofrendo eliminações precoces na Sul-Americana e Copa do Brasil.

Remontar os anos através da pré-temporada é um exercício longo que podemos fazer durante bom tempo por aqui, mas que resolvemos interromper. Uma coisa fica provada! Mais dias de preparação, jogadores melhor condicionados durante o ano. Como disse Mauro Cezar em sua coluna, não adianta pedirmos tipo de futebol semelhante com o do Velho Continente aqui em terras tupiniquins, se não dermos a condição mínima para este futebol ser construído, sintetizando precariamente.

Qual é o pulo do gato que havia dito no início? Abel já anunciou que trabalhará com duas equipes. Pessoalmente discordo do professor. Jogar as competições com duas equipes completamente diferentes não é o que se pratica no mundo. Rodar o elenco não é isso! Preferível seria ter um planejamento sério sobre em quais jogos determinados jogadores deverão ser poupados e esta falácia de que não há um Flamengo titular e reserva é balela. Aliás, será constrangedor disputar o brasileiro com Pires, Diego e Dourado e a Libertadores com Cuellar, Arrascaeta e Gabigol. Não é razoável. Não quer dizer que os suplentes sejam fracos, quer dizer a importância que se dá a cada competição.

Isto tem um lado positivo. Depois de 17 dias interrompidos por amistosos que mais se assemelham às peladas de fim de ano, os jogos começam para um grupo, depois começarão para outro grupo e isto é bom porque não estafará os músculos de TODOS os jogadores de uma vez. O lado negativo é que estas partidas são oficiais, portanto os adversários jogam a vida contra nós. Jogam duro, podendo lesionar nossos atletas e só podemos substituir três por partida. Para piorar, nosso treinador está com fome como ele mesmo diz. Quer papar todos os títulos que aparecerem na frente e o Carioca não é diferente. Há uma cobrança por resultados que beira o surreal. No domingo, por exemplo, Diego participou dos dois gols que deram a vitória ao Flamengo. Ainda assim como perdeu um pênalti, sofre pressão pois poderia significar o empate contra o potente Bangu no Cariocão. Imaginem que aquilo fosse um treino e Diego estava TREINANDO pênaltis… O aproveitamento seria 100%? Nós conhecemos Diego e não é o primeiro que ele perde.

Rodar o elenco é não escalar a força total, mas talvez três jogadores que estiverem mais cansados pudessem sair e outros três no decorrer da partida com o seu resultado. Além do mais, seria melhor avaliar mais claramente a qualidade do tempo em que se preparam os atletas neste início. Por que não aproveitar os jovens da copinha que saíram de forma antecipada para as partidas iniciais do carioca? Inclusive a do Botafogo… Por mim o time principal só começaria a fazer sua estreia no dia 3 contra a Cabofriense. Daí se faria uma avaliação SE seria interessante enviar os jogadores para as finais da Taça Guanabara ou não. Mas esse primeiro contato com o novo treinador e o retorno aos trabalhos deveria ser sagrado.

É uma vergonha a diferença que temos de preparação até em relação aos nossos adversários argentinos como bem disse o Mauro! Pior! Para jogar um campeonato que já vive seu ocaso, ou alguém duvida que o Carioca não sobreviverá sem o dinheiro da TV que acaba este ano? Ou alguém salva este campeonato, diminuindo suas datas e o tornando atraente, ou ele acabará! Ou alguém chacoalha o time apontando uma melhor pré-temporada, ou vamos estar abaixo na segunda metade do ano. Acorda, Flamengo!

Anderson Alves, O otimista.

Referência:
https://www.gazetadopovo.com.br/colunistas/mauro-cezar/campeonatos-estaduais-que-se-arrastarao-por-92-dias-mais-de-tres-meses-ou-perto-de-30-das-datas-que-formam-todo-o-calendario/

3 Comentários
  • Caro Anderson,
    Me desculpe mas a sua argumentação carece de fundamentos que a sustentem, apesar de achar que deveríamos ter uma pré temporada descente.
    Primeiro por dizer que em 2017 ‘chegamos’ e que em 2018 nem isso. A afirmação vai totalmente contra os fatos. Em 2018 fomos vice-campeões brasileiros. Se você acha que ser vice da Sul Americana e da Copa do Brasil é “chegar’ e que no Campeonato Brasileiro não é, há algo errado na sua lógica e talvez na do MCP. O Brasileiro é mais importante que as outras instituições copas.
    Segundo por outro fato que você deve ter esquecido. É que no ano de 2018 tivemos paralisação no meio do ano por conta da Copa do Mundo. O Flamengo pode descansar e se preparar fisicamente durante o período, podendo os preparadores físicos “tirarem o couro” dos jogadores, o que vai de encontro a tese da queda de rendimento no segundo semestre em função da pré-temporada mal feita.
    Com todo respeito que você merece, a queda do Flamengo em 2018 ocorreu pelo simples fato do Flamengo voltar da parada da Copa do Mundo líder do Brasileirão e disputando Libertação e Copa do Brasil.
    Que torcedor em sã consciência apoiaria escalar times reservas quando o seu time é líder do Brasileirão?
    SRN

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